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Folhetos litúrgicos para missas | Direto da Sacristia

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Os folhetos litúrgicos

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Os folhetos litúrgicos

Postado em 18 março 2011 por E. Marçal

Confiteor

Hoje, em muitas paróquias, quem prescreve a liturgia – principalmente a de ocasiões especiais – já não é apenas o padre, mas subsídios litúrgicos que ditam o que todos devem fazer. Até aí não tem problema; este começa quando – o que já foram sugestões, hoje se tornaram quase ordens – as “rubricas” nem sempre estão de acordo com as prescrições litúrgicas aprovadas pela Igreja.


 

“Quem manda aqui é o jornalzinho O Domenico”

 

Poucas – ou mesmo pouquíssimas – são as paróquias que não usam algum subsídio litúrgico em suas missas dominicais ou em dias solenes do calendário da Igreja. Venho de uma paróquia onde o uso de um folheto para “propiciar a maior participação da assembleia e evitar que esta fique alheia à celebração” tem se tornado cada vez maior e ele é, na verdade, que dita quase tudo o que será feito durante as cerimônias. Um exemplo claro dos índices alarmantes que esses subsídios tomaram é que se o celebrante escolher uma oração eucarísitica daquela que está “sugerida” no folheto, os fiéis reclamam de que não poderão responder no momento que lhes é permitido. Primeiramente: não concordo com as aclamações que foram inseridas nas orações eucarísticas. Certo que foram aprovadas pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Mas, isso aconteceu na década de 70. O prefeito e secretário do dito dicastério eram outros e não se importaram se a tradução brasileira (e de outros países) estaria de acordo com a edição típica (original), nem muito menos se preocuparam se as concessões dadas pela Santa Sé às Conferências Episcopais foram seguidas com moderação ou acabaram, de certo modo, excluindo elementos importantes. Pois, as aclamações das orações eucarísticas parecem que, não podendo os fiéis explicitamente proferirem a prece eucarística, permitiram que, de certo modo, a assembleia e os ministros leigos tomassem parte no que o padre diz no Cânon, fazendo com que a cada prece que o celebrante reza, o povo responda com uma aclamação que é um resumo da oração precedente. Só que isso infrige totalmente o seguinte cânon do Código de Direito Canônico:

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Cân. 907 Na celebração eucarística, não é permitido aos diáconos e leigos
proferir as orações, especialmente a oração eucarística,
ou executar as ações próprias do sacerdote celebrante.

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Aos que sugeriram essas aclamações, parece que o solene “Amém” que é dito após a doxologia, que precede a Oração do Senhor, é insuficiente para a plena participação do povo. Outro aspecto que não corresponde à edição típica do Missal Romano é a resposta à saudação “Dominus vobiscum“, que no Brasil e em outros países é “Ele está no meio de nós”. O recém-aprovado Missal para os países de língua inglesa é o protótipo do que a Santa Sé espera das traduções do Missal nos demais países ou nos demais idiomas (como acontece ao Brasil, Portugal e países com a mesma língua): traduções fiéis ao original em latim, excluindo respostas como “Ele está no meio de nós”, substituindo esta por “E com teu espírito”, e tantas outras correções. Em segundo lugar, hoje dificilmente um padre escolhe uma prece eucarística diferente daquele que está “sugerida” no folheto do qual a paróquia faz uso. Mesmo que seja um padre estranho àquela paróquia e ele queira rezar o Cânon Romano (I Oração Eucarística) no Natal, por exemplo, certamente ele terá receio de ser criticado por tomar uma atitude que contrarie o costume paroquial e, possivelmente, rezará a Oração Eucarística II pois assim indicou o tal folheto, pois sendo esta prece curta, logo não ocupará grande espaço na edição da impressão e será possível inserir, no mesmo papel, a Missa da Noite e a Missa do Dia do Natal.

O maior erro dos subsídios não é, contudo, indicar essa ou aquela oração, e sim permitir indicações litúrgicas de certas ideologias que distorcem a mensagem salvífica de Cristo. Refiro-me, primeiramente, aos cânticos. Ainda hoje, passados tantos anos do fim da ditadura política e, logo, da concepção religiosa segundo aspectos políticos, é possível notar um teor puramente social em muitos cânticos “sugeridos” para as celebrações. Leem no Evangelho um Cristo libertador do sistema dominador romano e aplicam essa leitura errônea ao nosso tempo: o reino de Deus só estará presente em nós quando todos tiverem casa para morar, comida para saciarem a fome e não houver o sistema capitalista que “oprime” os pobres. Para quem assim pensa, não basta vencermos o pecado em nós, mas as situações sociais que massacram o povo. Depois, algumas sugestões para as Missas beiram o ridículo: levar cartazes ou fitas coloridas na procissão inicial, apresentar no ofertório dons ou símbolos que nada tem a ver (o Missal prescreve que os fiéis apresentem dons que serão destinados aos pobres ou necessitados, e não pede que sejam apresentadas sandálias, cruzes, panelas de barro, ou pão e vinho para ornamentar o altar). Quanto à Liturgia da Palavra, infelizmente está enraizado o costume de introduzir o Lecionário mediante várias pessoas vestidas sem algo sentido cristão e executando coreografias mirabolantes. Não entendo qual auxílio espiritual presta tal costume; nosso povo não dança como danças aquelas pessoas na “entrada da Palavra”, portanto, não é expressão de nossa cultura. Certa vez, o Em.mo Cardeal Francis Arinze, Prefeito emérito da Congregação para o Culto Divino, disse que não se deve falar em dança “litúrgica” nos países da América e da Europa, pois a que faz parte de nossa cultura é aquela que encontramos em casas de shows, enquanto que na Ásia e na África, o que aqui se interpreta como dança, lá são movimentos suaves do corpo, naturais das pessoas, que expressam alegria. Mesmo assim, os que “aconselham” essas inovações às nossas assembleias, afirmam a plenos pulmões que isso é de nossa vida e nos ajuda a rezar.

Pontifício Coral da Capela Sistina
e seu maestro Mons. Massimo Palombella, SDB

Em 30 junho 2008, a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil reuniu em Aparecida (São Paulo), os responsáveis pelos 10 folhetos litúrgicos de maior circulação nas paróquias brasileiras. O encontrou teve o objetivo de demonstrar maior apoio a esse trabalho feito por dioceses e editoras, além de avaliar e analisas as publicações. Por fim, concluiu-se, entre outras coisas, que deveriam haver apenas o comentário inicial e um que antecedesse a Liturgia da Palavra. Contudo, tal é o costume que foi imposto em nossas comunidades, que mesmo os folhetos apresentando apenas os dois comentários recomendados, há paróquias que redigem novas reflexões para o Evangelho, para o ofertório, para depois da comunhão etc. Isso evidencia o vício que tomou conta de paróquias que inicialmente assinaram os subsídios litúrgicos para favorecer a participação dos fiéis durante as mudanças promovidas pela reforma litúrgica ordenada pelo Concílio Vaticano II. Contudo, como falei no início, as “sugestões” hoje governam a vontade de vários párocos, administradores paroquiais e demais sacerdotes, que agora estão de mãos atadas diante de “aconselhamentos” litúrgicos de pessoas que pensam que, de dentro de salas refrigeradas, podem controlar a liturgia oficiada em todo o país brasileiro. Infelizmente, o que eles pensam acontece.

Fiéis na Arquibasílica do Latrão

Pergunto-me até quando isso continuará. Passados quase 50 anos do início da reforma litúrgica, nosso povo já conhece a forma de celebração da Santa Missa outorgada pelo Papa Paulo VI. Antes de desviar o correto exercício das rubricas litúrgicas, os responsáveis deveriam promover em seus folhetos semanais uma catequese do sentido original do sacrifício de Cristo que é atualizado em cada missa. Ou, deveriam estar atentos ao novo movimento litúrgico – só um cego não quer ver – que está surgindo na Igreja e proporcionar subsídios catequéticos explicando ao povo brasileiro a forma extraordinária do rito romano e por em terra os preconceitos sobre ela. Sei que isso pode ser uma utopia aos olhos de muitos, mas Cristo disse que estaria com Sua Igreja até o fim dos tempos, então Ele proverá que Sua vontade, dita por Bento XVI e por seus documentos, seja obedecida, mais cedo ou mais tarde, pois o Espírito age onde quer, como quer e quando quer.

Assim seja.

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