{"id":1285,"date":"2012-03-01T06:30:03","date_gmt":"2012-03-01T09:30:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diretodasacristia.com\/home\/?p=1285"},"modified":"2012-09-01T20:11:18","modified_gmt":"2012-09-01T23:11:18","slug":"sobre-os-sinos-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/liturgia\/sobre-os-sinos-i\/","title":{"rendered":"Sobre os sinos (I)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Sino-Basilica.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1319 aligncenter\" title=\"Sino Basilica\" src=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Sino-Basilica.jpg\" alt=\"\" width=\"427\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Sino-Basilica.jpg 427w, https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Sino-Basilica-300x224.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A biblioteca do Semin\u00e1rio de Olinda \u00e9 rar\u00edssima em conte\u00fado e vast\u00edssima em n\u00famero. Nela est\u00e3o livros antigos nos idiomas mais conhecidos. \u00c9 de uma sensa\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel andar entre suas prateleiras e voltar no tempo, sentindo a textura das p\u00e1ginas, quase todas j\u00e1 amareladas, e aquele cheiro pr\u00f3prio de livros envelhecidos pelo tempo &#8211; e, estando l\u00e1 o conhecid\u00edssimo \u00e1caro, acho que foi a causa de um resfriado que me sobreveio nestes dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu j\u00e1 folheei v\u00e1rios livros dessa Biblioteca. Dentre eles, gostei mais de uma s\u00e9rie de publica\u00e7\u00f5es que compendiam os Boletins Mensais do governo metropolitano do Ex.mo Dom Miguel de Lima Valverde, arcebispo de Olinda e Recife entre os anos de 1922 a 1951, de quem ainda restam muitas obras. Nessas publica\u00e7\u00f5es, a editoria comunicava Atos da Santa S\u00e9, as atualiza\u00e7\u00f5es da C\u00faria Metropolitana, as atividades do Sr. Arcebispo e artigos que versavam desde tratados teol\u00f3gicos at\u00e9 pr\u00e1tica pastoral. Sempre &#8211; como \u00e9 de se esperar &#8211; os textos sobre Teologia e Liturgia me impressionaram com seu conte\u00fado de peculiar import\u00e2ncia, que aumentavam ainda mais a curiosidade em saber mais. Passado algum tempo desde que conheci a riqueza intelectual presente nesses Boletins, h\u00e1 poucos dias pensei em transcrever alguns escolhidos e public\u00e1-los aqui. E isso come\u00e7arei a partir de hoje, com uma frequ\u00eancia &#8211; espero &#8211; semanal. Confesso que, n\u00e3o obstante a idade do conte\u00fado, ainda hoje ele permanece atual ao saber que nem na Igreja s\u00f3 permanece o antigo, nem tudo tem que ser de tempo recente; \u00e9 &#8211; deve ser &#8211; uma harmoniosa conviv\u00eancia entre os dois, como bem tem destacado o Papa Bento XVI. Quem somos n\u00f3s para contestarmos a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, que j\u00e1 existia desde muito antes de nascermos e \u00e9 muito maior do que n\u00f3s para que seja submetida ao nosso pobre e falso julgamento de dispensabilidade? E, mais: est\u00e1 fundada em verdadeiros valores, que muitas vezes solidificaram a f\u00e9 dos que nos antecederam nela! Por n\u00e3o ser est\u00e1tica, a Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 viva, com a perpetua\u00e7\u00e3o do que nos precede e n\u00e3o com o desejo de fazer o novo em tudo e s\u00f3 a este garantir credibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, com algumas altera\u00e7\u00f5es para atualizar o sentido das palavras &#8211; mas sem preju\u00edzo algum ao conte\u00fado -, ponho nas m\u00e3os dos car\u00edssimos leitores este magn\u00edfico tesouro que nos ajudar\u00e1 a entendermos mais sobre v\u00e1rios assuntos de nossa f\u00e9 e &#8211; mais uma vez &#8211; demonstrar\u00e1 como ela \u00e9 riqu\u00edssima em conte\u00fado e sentido, com o novo e o velho sempre, sempre, sempre. Inauguro, como o fa\u00e7o agora, uma nova categoria (<a href=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/?cat=87\" target=\"_blank\">Precioso Dep\u00f3sito<\/a>,\u00a0t\u00edtulo que define o que acho dos textos) onde estar\u00e1 este rico conte\u00fado. Come\u00e7arei com o texto que mais conquistou a minha aten\u00e7\u00e3o e que me fez venerar ainda mais o objeto que nele \u00e9 tratado. O artigo a seguir segue o modelo de muitos que ser\u00e3o publicados: origem como primeira parte sua, evolu\u00e7\u00e3o e conclus\u00e3o. No presente texto, a conclus\u00e3o ser\u00e1 uma ampla explica\u00e7\u00e3o sobre a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos sinos segundo o <em>usus antiquor<\/em>, e para os amantes da Liturgia: n\u00e3o se arrepender\u00e3o de aguardar a conclus\u00e3o deste assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>OS SINOS<\/strong><br \/>\n<strong>Cap\u00edtulo I &#8211; Origem e uso<br \/>\n<\/strong>(publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o maio-julho 1932)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Pe. Thom\u00e1s Gon\u00e7alinho<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Campainha-judeu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Campainha vestes sacerdotais judaicas\" src=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Campainha-judeu.jpg\" alt=\"\" width=\"368\" height=\"209\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Um das campainhas presas \u00e0 orla da t\u00fanica dos sacerdotes judeus<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso dos sinos, na sua forma mais simples de pequenas campainhas, remonta a uma alta antiguidade. N\u00e3o podemos, contudo, determinar a \u00e9poca de sua inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Sacerdote-judeu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Sacerdote judeu\" src=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Sacerdote-judeu-e1330517813993-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"377\" height=\"502\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o de um Sumo Sacerdote judeu.<\/em><br \/>\n<em>Foi ordenado por Deus que na orla de sua t\u00fanica de p\u00farpura violeta (<\/em>cf<em>. Ex. 28, 33ss)<\/em><br \/>\n<em>houvessem rom\u00e3s intercaladas com campainhas de ouro, que sinalizariam<br \/>\ncom um agrad\u00e1vel som o servi\u00e7o divino<\/em>\u00a0<em>e ainda indicariam que o sacerdote<br \/>\nn\u00e3o tinha morrido e o sacrif\u00edcio tinha sido aceito<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que elas j\u00e1 existiam no tempo de Mois\u00e9s, pois o Senhor mandou-lhe que colocasse na orla da t\u00fanica de Aar\u00e3o um certo n\u00famero de campainhas de ouro (cf. \u00caxodo XXVIII, 33-34). T\u00eam-se encontrado destas campainhas em sepulturas chamadas pr\u00e9-hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram conhecidas de quase todos os povos da antiguidade, como demonstram as descobertas arqueol\u00f3gicas. Escritores antigos, como Plutarco, Luciano \u2013 entre os gregos, Pl\u00ednio, Marcial, Suet\u00f4nio, S\u00eaneca \u2013 entre os latinos, falam-nos das campainhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso que delas faziam era muito variado. Marcial faz men\u00e7\u00e3o das campainhas que anunciavam a abertura das termas (Luciano). Nalgumas partes, o toque da campainha indicava a abertura do mercado do peixe (Plutarco). Eram as campainhas que, pela manh\u00e3, davam o sinal de despertar (Luciano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era costume, e este costume ainda subsiste entre n\u00f3s, pendurarem uma ou mais campainhas ao pesco\u00e7o dos animais (S\u00e3o Paulino de Nola). Os pag\u00e3os atribu\u00edram-lhes a virtude de afugentar os esp\u00edritos maus e, por isso, usavam-nas como amuletos, talism\u00e3s, costume supersticioso de que ainda se encontram vest\u00edgios entre os fi\u00e9is dos primeiros tempos (S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A este e outros usos profanos, devem-se ajuntar os usos religiosos. Conta Porf\u00edrio que havia na \u00cdndia uma esp\u00e9cie de religiosos que se reuniam ao toque de uma campainha para orar. Em Roma, nas festas de maio celebradas pelos Arvales, eram usadas no culto dos lamures, nos funerais etc. Suet\u00f4nio conta que Augusto rodeou de campainhas o t\u00edmpano do templo de J\u00fapiter. Em antigos templos pag\u00e3os, encontram-se campainhas como ex-votos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas foi sobretudo do Cristianismo que as campainhas (e, depois, os sinos) receberam um uso quase exclusivamente religioso \u2013 convocar os fi\u00e9is aos atos de culto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O modo de convocar os fi\u00e9is para os of\u00edcios divinos n\u00e3o foi sempre o mesmo. Santo In\u00e1cio M\u00e1rtir manda que os fi\u00e9is sejam chamados cada um em particular (Carta a Policarpo). Isto n\u00e3o era dif\u00edcil em tempo e lugares em que os fi\u00e9is eram pouco numerosos. Mas, com o aumento dos crist\u00e3os, este modo de convoca\u00e7\u00e3o tornava-se praticamente imposs\u00edvel. Anunciavam-se, ent\u00e3o, ao domingo os dias, horas e lugares das reuni\u00f5es que se houvessem de celebrar durante a semana. E a pr\u00e1tica de chamar pessoalmente a cada um restringiu-se aos retardat\u00e1rios, os quais eram chamados pelos cursores,\u00a0<em>proecones<\/em>\u00a0ou monitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era natural que estes usassem algum instrumento que, se n\u00e3o era campainha, fazia as suas vezes. Segundo a Regra de S\u00e3o Pac\u00f4mio, os monges eram convocados ao som da trombeta. Noutros mosteiros, batia-se \u00e0 porta da cela de cada religioso com um martelo (Cassiano). No mosteiro de Santa Paula, em Bel\u00e9m, as religiosas eram chamadas ao canto do\u00a0<em>Alleluia<\/em>\u00a0(S\u00e3o Jer\u00f4nimo).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Monge-sino1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1294 aligncenter\" title=\"Monge toca sino\" src=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Monge-sino1.jpg\" alt=\"\" width=\"306\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Monge-sino1.jpg 383w, https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Monge-sino1-164x300.jpg 164w\" sizes=\"auto, (max-width: 306px) 100vw, 306px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, j\u00e1 no s\u00e9culo VI se encontram documentos que atestam o uso dos sinos nos mosteiros. Destes, o mais antigo \u00e9 talvez a\u00a0<em>Regula ad Virgines<\/em>\u00a0de S\u00e3o Ces\u00e1rio de Arles, escrita por volta do ano 513. Dos mosteiros, os sinos passaram, em breve, para as igrejas paroquiais, tanto que Greg\u00f3rio de Tours afirma que o seu uso era j\u00e1 frequente no s\u00e9culo VI na G\u00e1lia. Quanto \u00e0s ocasi\u00f5es em que se tocavam, transcrevemos aqui uma passagem de Dom Leclercq: \u201cNos mosteiros, o sino regulava e marcava, de uma maneira que todos compreendiam, os exerc\u00edcios comuns, desde o despertar, of\u00edcio, a refei\u00e7\u00e3o e o deitar, at\u00e9 aos menores incidentes da observ\u00e2ncia e \u00e0s circunst\u00e2ncias excepcionais da vida\u201d. \u00c0 hora da morte, S\u00e3o Sturmio de Fulda (<strong>n.e.<\/strong> monge alem\u00e3o do s\u00e9culo VIII) mandou tocar todos os sinos do mosteiro para convidar os irm\u00e3os, assim avisados, a porem-se em ora\u00e7\u00e3o. \u00c0 nona (<strong>n.e.<\/strong>\u00a0hora do Of\u00edcio Divino correspondente \u00e0s 9h), Begu (<strong>n.e.<\/strong>\u00a0santo do s\u00e9culo VII) tem conhecido da morte da abadessa Hilda (<strong>n.e.<\/strong>\u00a0de Whitby, santa falecida em 680) pelo modo especial do toque dos sinos que chega at\u00e9 ele do mosteiro vizinho. Nas igrejas paroquiais, o sino convocava os fi\u00e9is aos of\u00edcios do dia e da noite: [<strong>tradu\u00e7\u00e3o nossa do latim<\/strong>] Que todos os sacerdotes competentes soem o sino das igrejas nas horas do dia e da noite, para, em seguida, celebrem os sagrados of\u00edcios divinos e ensinem as pessoas a adorarem a Deus (<strong>n.e.<\/strong>\u00a0Capitularia de Carlos Magno, elenco de leis da \u00e9poca carol\u00edngia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez se tocassem os sinos em muitas outras ocasi\u00f5es. Por ocasi\u00e3o do assalto de Sens (<strong>n.e.<\/strong>\u00a0comuna francesa) por Clot\u00e1rio II, o bispo S\u00e3o Lupo mandou tocar o sino da igreja de Santo Estev\u00e3o; e parece que, pelos fins do s\u00e9culo VIII, se tocavam os sinos para afugentar as tempestades e o granizo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes diferentes usos dos sinos eram indicados em inscri\u00e7\u00f5es neles gravadas. \u00c9 muito comum a seguinte: \u201c<em>Laudo Deum verum, plebem voco, congrego clerum, defunctos ploro, pestem fugo, festa decoro<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis mais algumas defini\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Funera plango, fulmina frango, sabbato pango;<\/em><br \/>\n<em>Excito lentos, dissipo ventos, paco cruentos<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Convoco, signo, noto, compello, concino, ploro,<\/em><br \/>\n<em>Arma, dies, horas, fulgura festa rogos<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[<strong>n.e.<\/strong>] E, a grava\u00e7\u00e3o no sino do Mosteiro beneditino de Maredsous, reza:<br \/>\n\u201c<em>Jubilans, sacra festa cano;<\/em><br \/>\n<em>Suplex longo procellas pello:<\/em><br \/>\n<em>Plorans alumnis stratis bello<\/em><br \/>\n<em>Amicis, monachis, pacem rogo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Tintinnabulum-Bas\u00edlica-EUA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-1316\" title=\"Tintinnabulum Bas\u00edlica EUA\" src=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Tintinnabulum-Bas\u00edlica-EUA.jpg\" alt=\"\" width=\"381\" height=\"574\" srcset=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Tintinnabulum-Bas\u00edlica-EUA.jpg 680w, https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Tintinnabulum-Bas\u00edlica-EUA-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Hoje, d\u00e1-se o nome de &#8220;<\/em>tintinnabulum&#8221;<em> \u00e0 esta ins\u00edgnia concedida<br \/>\npela Santa S\u00e9 \u00e0s igrejas bas\u00edlicas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sinos receberam, no decorrer dos tempos, v\u00e1rios nomes. O mais antigo que os latinos lhes\u00a0<em>deram tintinnabulum<\/em>\u00a0(\u00e0s vezes,\u00a0<em>tintinna<\/em>) nome gen\u00e9rico, mas que designava antes as campainhas pequenas. Os gregos chamavam-nas\u00a0<em>k\u00f3dones<\/em>\u00a0(singular:\u00a0<em>k\u00f3don<\/em>) e assim os vigias noturnos eram chamados <em>kodon\u00f3phoroi<\/em> por trazerem uma campainha.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Torre-sino-Par\u00f3quia-Santo-Ant\u00f4nio-P\u00e1dua1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Torre sino Par\u00f3quia Santo Ant\u00f4nio P\u00e1dua\" src=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Torre-sino-Par\u00f3quia-Santo-Ant\u00f4nio-P\u00e1dua1.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"454\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o nome pr\u00f3prio latino que serve para designar os sinos \u00e9 \u2013\u00a0<em>signum<\/em>, assim chamado porque servia para dar o sinal \u2013\u00a0<em>signum<\/em>. Este nome encontra-se j\u00e1 no primeiro quarto do s\u00e9culo VI. Na\u00a0<em>Regula ad Virgines<\/em>\u00a0de Ces\u00e1rio de Arles (escrita cerca do ano 513), l\u00ea-se:\u00a0<em>Quae, signo tacto, tardius ad opus Dei venerit<\/em>. Na Regra de S\u00e3o Bento (escrita entre 529 a 543), l\u00ea-se:\u00a0<em>Ad horam divini officii, mox ut auditum fuerit signum, summa cum festinatione curratur<\/em>\u00a0(cap\u00edtulo 43). Este nome era muito usado entre os visigodos e encontra-se ainda hoje no\u00a0<em>Pontificale Romanum<\/em>, parte II, t\u00edtulo:\u00a0<em>De Benedictione Romanum<\/em>, parte II, t\u00edtulo:\u00a0<em>De Benedictione signi vel campanae<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Campana \u00e9 outro nome porque s\u00e3o designados os sinos. Este \u00e9 derivado, provavelmente, de Camp\u00e2nia, regi\u00e3o da It\u00e1lia, ou por que foi l\u00e1 que se come\u00e7aram a fundir os sinos de maiores dimens\u00f5es ou em raz\u00e3o da boa qualidade do seu bronze, c\u00e9lebre na antiguidade \u2013\u00a0<em>aes campanum<\/em>\u00a0(<strong>n.e.<\/strong>\u00a0cobre campan\u00eas). Este nome parece j\u00e1 generalizado no s\u00e9culo VI. Encontra-se tamb\u00e9m o nome<em>\u00a0campanum<\/em>, por\u00e9m menos frequentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No norte da G\u00e1lia e na regi\u00e3o romana, empregava-se a palavra\u00a0<em>clocca<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>glogga<\/em>. Assim lemos na vida de S\u00e3o Sturmio (780) [<strong>n.e.<\/strong>\u00a0como dito anteriormente] que \u00e0 hora da morte mandou tocar todos os sinos (<em>glogga<\/em>) do mosteiro. E, na de S\u00e3o Bonif\u00e1cio, l\u00ea-se:\u00a0<em>Ecclesiae cloccum, humana non contigente manu, commotum est<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro nome \u00e9 o de nola, j\u00e1 conhecido no s\u00e9culo II e que servia para designar os sinos de pequenas dimens\u00f5es. H\u00e1 quem o fa\u00e7a derivar de Nola, cidade da Camp\u00e2nia, por\u00e9m n\u00e3o parece admiss\u00edvel, pois a s\u00edbala no de nola (sino) \u00e9 breve, ao passo que a de Nola (cidade) \u00e9 longa. Wetzer, com mais probabilidade, deriva-a do c\u00e9ltico\u00a0<em>noll<\/em>,\u00a0<em>nell<\/em>, donde vem o ingl\u00eas\u00a0<em>knoll<\/em>, dobras os sinos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/b205ef20-c943-404d-ad81-09f9cb6a2c3b.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-1295\" title=\"b205ef20-c943-404d-ad81-09f9cb6a2c3b\" src=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/b205ef20-c943-404d-ad81-09f9cb6a2c3b-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"459\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/b205ef20-c943-404d-ad81-09f9cb6a2c3b-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/b205ef20-c943-404d-ad81-09f9cb6a2c3b-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 459px) 100vw, 459px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sinos s\u00e3o vasos sagrados, destinados ao culto divino. Como tais, recebem uma b\u00ean\u00e7\u00e3o especial, que, pela semelhan\u00e7a que tem com o rito do Batismo, \u00e9 vulgarmente chamado Batismo dos sinos. Esta designa\u00e7\u00e3o encontra-se j\u00e1 no s\u00e9culo VIII. \u00c9, todavia, uma designa\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria. E n\u00e3o se deve, de modo algum, confundir o sacramento do Batismo com a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos sinos, que \u00e9 um sacramental. De resto, a Igreja nunca admitiu nos seus livros a designa\u00e7\u00e3o de Batismo, mas sim a de B\u00ean\u00e7\u00e3o. E t\u00e3o antigo, interessante e instrutivo \u00e9 o Ritual desta B\u00ean\u00e7\u00e3o que dele nos ocuparemos num segundo artigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em><a href=\"https:\/\/diretodasacristia.com\/home\/?p=1409\">Continua&#8230;<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A biblioteca do Semin\u00e1rio de Olinda \u00e9 rar\u00edssima em conte\u00fado e vast\u00edssima em n\u00famero. 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