Direto da Sacristia
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O Cardeal Gambetti continua no seu cargo

Postado em 28 fevereiro 2026por Redação
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Temporariamente, segundo informações do vaticanista Francesco Capozza.

O Cardeal Mauro Gambetti, de 60 anos, é arcipreste da Basílica de São Pedro no Vaticano, cargo que comporta outros dois: vigário-geral para a Cidade do Vaticano e presidente da Fábrica de São Pedro (a instituição que administra a mencionada Basílica, desde a sua manutenção). Ele foi nomeado pelo Papa Francisco em 20 de fevereiro de 2021 por cinco anos, mandato que pode ser renovado por outros cinco anos. Assim, a sua nomeação venceu-se há alguns dias e muitas pessoas se perguntavam se ele teria um novo mandato ou receberia outra função.

Segundo o vaticanista do jornal “Il Tempo”, o Papa Leão XIV, em 25 de fevereiro, entre as duas meditações diárias do retiro quaresmal, recebeu o Cardeal em audiência privada e confirmou-o no seu cargo “até que se determine o contrário”, ou, segundo a clássica fórmula latina, donec aliter provideatur.

O que significa a expressão latina

O uso canônico da fórmula latina não implica um novo mandato de cinco anos, mas a permanência temporária no cargo. A mesma fórmula é usada nas dioceses, quando os bispos nomeiam, por exemplo, um administrador paroquial, que, não tendo a estabilidade canônica de um pároco, pode ser transferido quando assim for decidido; ela também é usada pelo novo papa poucos dias após ser eleito: quando da morte (ou renúncia) de um papa, a maioria dos cargos da Cúria Romana é suspensa. Isto faz com que vários assuntos fiquem pendentes nos escritórios, cujas decisões podem ser tomadas apenas pelos prefeitos ou presidentes. Assim, o novo papa costuma confirmar todos os cargos “donec aliter provideatur”, enquanto pensa quais nomes manterá de fato e quais substituirá. Leão XIV fez isto no dia seguinte ao da sua eleição, expressando “a vontade que os Chefes e os Membros das instituições da Cúria Romana, como também os Secretários, […] prossigam, provisoriamente, nos respectivos cargos donec aliter provideatur“.

Desde então, o Papa tem dedicado muito tempo à reflexão das nomeações curiais. Nesses primeiros 10 meses de pontificado, ele fez algumas nomeações, das quais as mais importantes foram a da Irmã Tiziana Merletti como secretária do Dicastério para os Religiosos e a de Dom Filippo Iannone como prefeito do Dicastério para os Bispos — esta foi a mais importante não somente porque diz respeito ao cargo que o Papa desempenhava antes do conclave que o elegeu, mas sobretudo por causa da função, que trata das nomeações episcopais em todo o mundo.

O futuro do Cardeal Gambetti

Antes de ser bispo e cardeal, Frei Mauro Gambetti era guardião (prior) do Sagrado Convento de Assis, ao qual é confiada a Basílica Papal de São Francisco, onde está o seu túmulo. Ele conheceu o Papa Francisco durante a visita deste à cidade franciscana em 03 de outubro de 2020, para a assinatura da encíclica Fratelli Tutti, cujo documento tem o título inspirado em palavras do Santo e trata da fraternidade e da amizade social. Algumas semanas depois, em 25 de outubro, ao fim da oração dominical do Angelus, o Papa anunciou um consistório para a criação de 13 novos cardeais e na lista figurava o padre guardião do Sacro Convento. Então com 55 anos, à época ainda não se sabia a função do jovem cardeal, se permaneceria um purpurado em Assis ou teria uma nova função. A resposta veio em 20 de fevereiro do ano seguinte: no lugar do Cardeal Angelo Comastri, que com 77 anos de idade (dos quais 16 no Vaticano) ultrapassava a idade canônica, o Papa nomeou o Cardeal Gambetti como arcipreste da Basílica Vaticana e para os outros dois cargos derivantes, mencionados anteriormente.

Tanto antes da confirmação “até que se determine o contrário”, quanto agora, fala-se qual poderá ser o futuro eclesiástico do Cardeal Gambetti: ele é jovem, criativo, de iniciativa e com vasta experiência administrativa em Assis e no Vaticano, pontos nevrálgicos sob qualquer ponto de vista, mesmo na Itália. Ele poderá ser arcebispo ou bispo diocesano? Atualmente, existem 3 dioceses de rito romano (Benevento, Gorizia e Terni-Narni-Amelia) vacantes e, até o fim de 2026, cerca de 15 bispos italianos (dentre os quais, os das (Arqui)Dioceses de Novara, Chieti-Vasto, Como e Faenza-Modigliana) renunciarão por motivo de idade; alguns desses foram prorrogados no cargo por 1 ou 2 anos e outros já apresentaram a renúncia e aguardam uma resposta; particularmente emblemático é o cenário da Arquidiocese de Milão porque o Papa já se antecipou ao pedido de renúncia de Dom Mario Delpini, que seria apresentado em julho, e pediu-lhe para continuar no governo pastoral — talvez, enquanto o seu sucessor é procurado ou preparado.

Veremos se Leão XIV nomeará o Cardeal Gambetti para alguma dessas dioceses ou se, afinal, dará a ele um novo mandato quinquenal.

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