Direto da Sacristia
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O renascimento católico no Brasil, segundo Karnal

Postado em 03 março 2026por Redação
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Em 22 de abril de 2025, um dia após a morte do Papa Francisco o escritor Leandro Karnal fez uma live sobre “papa e conclave”. Durante a transmissão, ele falou sobre assuntos relacionados ao tema e em dado momento comentou o seguinte:

“Uma coisa importante é que o que cresce na Igreja Católica hoje, bastante, é o segmento mais conservador. Pega o caso no Brasil, em que o que move as multidões são padres ou neutros politicamente, como a maioria dos padres cantores, ou declaradamente conservadores quanto aos valores. O exemplo disso seria, por exemplo, extremamente popular Terço/Rosário com o Frei Gilson nas madrugadas da Quaresma. Não são os movimentos das Comunidades Eclesiais de Base, não são os movimentos da Teologia da Libertação.

 

O que hoje se vê presente na Igreja é a presença decisiva de movimentos mais tradicionalistas, que voltam a cultuar santos, que voltam a exigir roupas formais do padre, as roupas de missa — debatem até se aquela casula, que a gente chama de casula gótica, a casula mais ampla, ou a casula romana, que é mais redonda e menor, se são os melhores; volta a se pedir missa em latim, as práticas tradicionais de devoção, como — antigamente falava Terço, mas o Papa João Paulo II tornou isso o Quarto, não é?! Porque acrescentou mais Mistérios — , o Rosário, as devoções marianas, as associações piedosas — como o Apostolado da Oração —, eles têm muito mais força hoje do que há 30 anos.

Nós estamos em um momento de crescimento do catolicismo, há um aumento do número de batizados, um aumento das vocações. Mas tudo que eu percebo, como analista externo do fenômeno religioso, é que o papa, os bispos, os cardeais, podem estar mais críticos, mas a massa dos fiéis menos. Por exemplo, houve muitas críticas ao tema da Campanha da Fraternidade falar de ecologia integral, uma expressão que nasce de uma encíclica do Papa Francisco: houve movimentos de pessoas que queriam, quando surge o envelope do Domingo de Ramos — ou seja, há uma semana, uma semana antes da Páscoa, que foi domingo —, o Domingo de Ramos que se põe o envelope para contribuições, muita gente mandou colocar folhas dentro do envelope como uma ironia ou como uma ataque a esta postura da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que se identificou com essa identidade eacológica. Um bispo conservador chegou a dizer: ‘Nós não viemos ao mundo para salvar árvores, mas para salvar almas'”.

 

Quem é Leandro Karnal

Foto: R. Trumpauskas

Karnal é um dos principais pensadores contemporâneos do Brasil, um dos escritores de maior sucesso no País — com mais de cinco milhões de exemplares vendidos —, e é extremamente popular nas redes sociais, com milhões de seguidores no Instagram e no Yotube, graças também à rara habilidade de traduzir questões complexas  a uma linguagem acessível, aliado a isso, ele trata de temas da vida cotidiana das pessoas, desde psicologia à religião. Ele é gaúcho de São Leopoldo, foi católico praticante, chegou a pertencer à Companhia de Jesus até, ainda na juventude, passar a se definir ateu. Apesar disso, ele trata muito da Igreja Católica e do fenômeno religioso em si, como vemos, por exemplo, ainda mais especificamente no trecho da sua live e admira muito o apóstolo São Paulo. Ao se definir atualmente “uma pessoa sem religião ou perspectiva metafísica”, quase em tom de desabafo ou confissão, ele já disse que “não consegue” ter fé em algo, e que, ao mesmo tempo, admira quem a tem.

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