Direto da Sacristia
×
×

Uma tiara pontifícia para Leão XIV

Postado em 06 março 2026por Redação
0 0 votos
Classificação do artigo

Católicos norte-americanos estão promovendo uma campanha de financimento coletivo para confecção de uma tiara pontifícia, que será doada ao Papa.

A tiara é uma coroa que os papas usaram desde o século VIII até 1964, quando São Paulo VI abandonou o seu uso e os sucessores seguiram-no com o gesto, até que o rito de coroação e as rubricas de uso desapareceram nas reformas da liturgia papal; ela era alternada à mitra nas maiores solenidades do pontificado, como a Páscoa, as canonizações e as definições dogmáticas.

A associação “Amici Vaticani” começou a campanha em 2025, desejando retomar o gesto que as tiaras usadas pelos papas lhes foram presenteadas ou por suas antigas dioceses ou pelas regiões das quais proveniam; foram presenteados com a insígnias mesmo os papas Bento XVI e Francisco, isto é, cujos pontificados são posteriores às reformas litúrgicas.

Alcançado o valor necessário, que não foi divulgado, a confecção será confiada ao joalheiro e artista maltês Gabriel Farrugia, com grande experiência na arte religiosa, incluindo a coroa para a imagem de Nossa Senhora de Fátima da cidade Guardamangia (Malta).

 
 

O projeto prevê que a tiara seja branca e dourada, com pedras vermelhas, brancas e azuis (representando a nação do Papa), desenhos de pés de milho (cultivo do país), rosas, oliveiras e carvalho (símbolos nacionais). Ela será encimada por uma cruz botonada, que termina suas pontas em forma de esferas e que está no brasão da Diocese de Baltimore, a primeira do País.

A tiara papal era caracterizada por uma coroa, até que uma segunda foi acrescentada pelo Papa Bonifácio VIII (em 1298 ou 1301), querendo assim simbolizar a supremacia do poder espiritual sobre o material/político, enquanto disputava o tema com o rei francês, Felipe II, o Belo; a terceira coroa foi acrescentada por Bento XII, em 1342, querendo reforçar simbolicamente a autoridade papal sobre a toda a Igreja. Essas três coroas, com as quais a tiara é definitivamente desenhada pela arte religiosa e pela joalheria pontifícia, são indicadas por três linhas horizontais, separadas por certa distância.

O seu significado oficial é explicado pela antiga oração, rezada pelo cardeal protodiácono enquanto coroava o papa: é símbolo que o pontífice é pai dos reis e príncipes (ou seja, os governantes), guia do mundo e vigário de Cristo. Outras interpretações falam da tríplice autoridade pontifícia: pastor de todos, jurisdição universal e monarca temporal; outros, como o próprio São João Paulo II, associa-a à triplice missão de Cristo: sacerdote, profeta e rei; outros, veem nela a Igreja no céu, a Igreja no purgatório e a Igreja sobre a terra; por outro lado, o Cardeal Montezemolo, que desenhou o brasão de Bento XVI, interpreta-a representando a ordem sagrada, a jurisdição e o magistério, dos quais o Papa é o supremo detentor.

A tiara permanece na bandeira do Vaticano e como logomarca dele e de instituições vaticanas, enquanto é indiretamente recordada nos brasões dos papas pela mitra decorada por três linhas horizontais.

Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
Mais votado
mais recentes mais antigos
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x