Direto da Sacristia
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O Papa revisará a reforma da Diocese de Roma

Postado em 25 fevereiro 2026por Redação
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As nomeações, de uma vez só, de 4 novos bispos auxiliares, por elas mesmas, são uma grande novidade e dizem muito sobre qualquer diocese. E isto não é diferente para a Diocese de Roma: a cidade conta com mais de 2,7 milhões de habitantes distribuídos em uma vasta superfície, por mais que a população seja mais presente na periferia do que no centro. Apesar disso, até fevereiro de 2024, a Diocese contava com 7 bispos auxiliares — um para cada um dos cinco setores e outros para alguns âmbitos específicos —, mas o Papa Francisco decidiu transferir a maior parte deles, sem nomear outros bispos como substitutos e sim presbíteros com a função de vigário episcopal; uma nomeação excepcional foi a de Dom Renato Tarantelli, em novembro de 2024, como bispo auxiliar para o Setor Sul e vice-gerente, que divide a jurisdição com o cardeal-vigário. Aliás, também a nomeação do cardeal-vigário foi outra exceção: em 06 de outubro do mesmo ano, Dom Baldassare Reina foi promovido para a função, após seis longos meses desde quando, como vice-gerente, fazia as vezes de vigário-geral da Diocese, uma vez que em abril anterior o Cardeal Angelo De Donatis tinha sido transferido para a Penitenciaria Apostólica.

 

 

Além do desaparecimento da figura episcopal em cada setor da Diocese, o Papa Francisco decidiu também suprimir o Setor Centro, de modo que fizessem parte dos outros setores as incontáveis paróquias e igrejas do coração da Cidade, que, embora contando com menos paroquianos residentes do que há algumas décadas, têm como pastoral própria e importante a salvaguarda das igrejas ligadas a santos e a suas relíquias, como também a passagem de milhares de turistas, desde os mais desatentos, até aqueles que vivem uma experiência marcante ou que são mais do que isso, são peregrinos.

Mas, aparentemente, o Papa Leão XIV não concordou com tais reformas e também, provavelmente, sabendo como o clero do centro se reclamava da supressão do setor, com um Motu Proprio — isto é, um documento por vontade própria do Papa e não que lhe tenha sido sugerido ou solicitado pela Cúria Romana —, datado de 11 de novembro de 2025, o Pontífice reabilitou o Setor, dentre outros motivos, porque durante o Jubileu emergiu ainda mais “não apenas uma especificidade, mas também uma homogeneidade e unitariedade” dessa região.

Além de tudo, com as nomeações de quatro bispos, somados aos outros bispos auxiliares, todos serão 6, sem contar com o Cardeal Reina, que, como cardeal-vigário, é por excelência o auxiliar pontifício para Roma. No decreto das nomeações, o Papa reafirma o retorno da configuração administrativa da Diocese, atribuindo a cada bispo auxiliar um setor:

– a Mons. Stefano Sparapani é confiado o Setor Oeste;

– a Mons. Alessandro Zenobbi, o Setor Leste;

– a Mons. Andrea Carlevale, o Setor Sul;

– a Mons. Marco Valenti, o Setor Norte.

A Dom Renato Tarantelli era atribuído o Setor Sul, porém, de acordo com a decisão do Pontífice, a partir de hoje a ele é confiado o Setor Centro. Dom Michele Di Tolve, bispo auxiliar desde maio de 2023, continua, dentre outras funções, como reitor do Pontifício Seminário Romano Maior e vigário episcopal para o Diaconato, o Clero, a Vida Religiosa e a Ordo Virginum.

Por fim, na segunda página do mesmo decreto, o Papa anuncia a revisão da reforma da Diocese promovida pelo Papa Francisco a partir do dia 06 de janeiro de 2023:

“Também torno público que constituí especificamente um Grupo de Trabalho, encarregado de proceder à revisão da Constituição Apostólica In Ecclesiarum communione, a fim de verificar sua adequação às atuais necessidades pastorais e de favorecer um serviço mais eficaz à missão da Igreja”.

Lembremo-nos que, antes de auxiliar por mais de 2 anos o Papa Francisco na criação de dioceses e nas nomeações episcopais, o Pontífice foi bispo diocesano de Chiclayo (Peru) entre o fim de 2014 e o início de 2023. Portanto, ele tem uma vasta experiência em administração eclesiástica, sem contar a sua formação em Direito Canônico e os anos em que foi superior-geral da sua ordem religiosa.

Quem conhece o Papa desde seus anos de frade agostiniano e bispo diocesano assegura que ele é muito reflexivo nas decisões que deve tomar, no modo como faz isso e quando faz. É o que temos visto nesses primeiros 9 meses de pontificado. Resta-nos aguardar para ver as decisões que moldarão o seu pontificado.

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