O Papa nomeia 4 bispos auxiliares para Roma
Com um ato de grande renovação da Diocese de Roma, o Papa Leão XIV nomeou hoje 4 novos bispos auxiliares, que são presbíteros do próprio clero romano (apresentados da esquerda à direita:
– Mons. Stefano Sparapani, de 69 anos, ordenado presbítero em 1991 e até agora era pároco da Paróquia São Basílio na Praça Recanati, diretor espiritual do Colégio Capranica e vigário episcopal do Setor Norte;
– Mons. Alessandro Zenobbi, de 56 anos, ordenado presbítero em 1996 e até agora era pároco da Paróquia Santa Lúcia na Praça D’Armi e vigário episcopal do Setor Oeste;
– Mons. Andrea Carlevale, de 54 anos, ordenado presbítero em 1998, desde apenas junho passado e até agora era pároco da Paróquia São João Batista de Rossi no Appio-Latino;
– Mons. Marco Valenti, de 64 anos, ordenado em 1986 e até agora era pároco da Paróquia Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo em Monteverde.
É um grande ato não somente por se tratarem de nomeações episcopais e num número significativo de 4 de uma vez só, mas sobretudo pelo cenário da Diocese: por decisão do Papa Francisco, vários bispos auxiliares foram promovidos como bispos diocesanos e no lugar deles, com apenas uma exceção, não foram nomeados novos e sim presbíteros como vigários episcopais.
A Diocese de Roma já chegou a ter 8 auxiliares
Para entendermos melhor, é necessário voltarmos um pouco no tempo: até fevereiro de 2024, a Diocese de Roma tinha 7 bispos auxiliares, cada um destinado para um dos cinco setores nos quais ela era dividida: norte, sul, leste, oeste e centro. Além deles, como cabeça do Conselho Episcopal estava o Cardeal Angelo De Donatis, vigário de Sua Santidade para Roma.
As mudanças começaram em 23 de fevereiro daquele ano, com a promoção de Dom Riccardo Lamba de bispo auxiliar no Setor Leste a arcebispo de Udine. Em 06 de abril, Dom Daniele Libanori, de bispo auxiliar no Setor Centro foi nomeado como assessor especial do Papa para a vida consagrada. Naquele mesmo dia 06, o Papa transferiu o Cardeal De Donatis para a função de penitenciário-mor da Igreja. O cargo de vigário para Roma permaneceu vago por seis meses, até que em 06 de outubro, Dom Baldassare Reina, de bispo vice-gerente e auxiliar no Setor Oeste foi nomeado para a função, pela qual foi criado cardeal no consistório de 08 de dezembro seguinte. No dia 31 de outubro, Dom Dario Gervasi, de bispo auxiliar no Setor Sul foi nomeado como secretário-adjunto do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Em 16 de dezembro, Dom Daniele Salera, de bispo auxiliar no Setor Norte foi nomeado como bispo da Diocese de Ivrea. Em 28 de janeiro de 2025, Dom Paolo Ricciardi, de bispo auxiliar no Setor Leste (ele tinha sucedido a Dom Riccardo Lamba) foi nomeado como bispo de Jesi. Por fim, Dom Benoni Ambăruş, de bispo auxiliar para o âmbito da caridade foi nomeado como arcebispo de Matera-Irsina e bispo de Tricarico, governando ao mesmo tempo a arquidiocese e a diocese.
A reforma da Diocese
Essas nomeações, feitas ao longo de meses, seguiram-se à reforma da Diocese iniciada em 06 de janeiro de 2023, através da nova constituição apostólica “In Ecclesiarum communione” (do latim, “na comunhão das Igrejas”; “igrejas” no sentido estrito de dioceses). A reforma envolveu diferentes pontos da Diocese, como o processo para ordenação de novos diáconos e presbíteros e à tomada de outras decisões pelo próprio Papa, ao invés do cardeal-vigário ou com o seu Conselho Episcopal. Na mencionada constituição, embora sejam previstos bispos auxiliares para as várias regiões da Diocese, para cada uma delas o Papa decidiu nomear um presbítero como vigário episcopal, equiparado a bispo naquilo que não é sacramental.
Enquanto promoveu os bispos auxiliares para funções de bispos diocesanos ou na Cúria Romana (a única exceção é o Cardeal Reina, que foi nomeado dentro da própria Diocese, passando de bispo auxiliar a cardeal-vigário), a única nomeação de um novo bispo auxiliar para Roma — nesse hiato temporal que mencionamos — ocorreu em 21 de novembro de 2024, quando o então Pe. Renato Tarantelli foi promovido ao episcopado, acumulando ao cargo de bispo auxiliar a função de vice-gerente, que divide a jurisdição com o cardeal-vigário. Ele se somou a Dom Michele Di Tolve, bispo auxiliar desde maio de 2023 e que não foi transferido.
Além disso, em 1° de outubro de 2024, o Papa Francisco decidiu suprimir o Setor Centro para que a Diocese possuísse apenas os Setores dos quatro pontos cardeais. Porém, o Setor Centro correspondia ao centro histórico da Cidade, praticamente, toda a cidade dentro das antigas Muralhas Aurelianas; as igrejas ali têm um perfil diferentes das igrejas dos outros setores: a maioria é muito antiga, meta de peregrinação devido à sua história ou aos santos que passaram por elas ou cujas relíquias são ali veneradas etc. Em contrapartida, durante o dia, o centro é movimentado por restaurantes, hotéis, escritórios e lojas; os seus residentes são em grande números os religiosos dos conventos e outras casas religiosas, com a exceção de alguns apartamentos e condomínios. É na periferia que se respira a vida pastoral mais numerosa, participativa e paralela a qualquer outra diocese. Porém, mesmo com as dificuldades e os desafios, o centro de Roma não poderia continuar junto aos outros setores, com perfis pastorais e históricos diferentes, como dissemos. Assim, em 11 de novembro de 2025, com um Motu Proprio, o Papa Leão XIV desfez a reforma e restabeleceu o Setor Centro.
Os cinco setores e os seus novos bispos auxiliares
Até hoje, portanto, Leão XIV era auxiliado por apenas 3 bispos: o Cardeal Reina como vigário (o seu auxiliar por excelência), Dom Michele Di Tolve e Dom Renato Tarantelli. Mas agora é provável que cada setor volte a ter um bispo auxiliar, como sempre aconteceu e que, na falta deles, revelou-se ainda mais necessário.
A Diocese de Roma comunicou que será o próprio Papa a ordenar os seus novos auxiliares, dia 02 de maio, às 17h, na Arquibasílica de São João no Latrão.
