Direto da Sacristia
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É permitido aos fiéis abrir os braços ao rezar o Pai nosso?

Postado em 23 abril 2012por E. Marçal
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Eis uma dúvida que surge a muitos. Vamos esclarecê-la a partir do pedido que nos fez por e-mail em março passado o nosso leitor Luiz Rocha, de Campo Grande (MS). De fato, não poucas vezes vemos em missas o convite ou feito pelo Celebrante ou pelo grupo de cantores para todos, ou se darem as mãos uns dos outros ou, “somente”, abrir os braços para juntos rezarem o Pater noster. Infelizmente, em muitas paróquias não é aplicada rigorosamente a rubrica do Missal sobre o gesto que acompanha a recitação da Oração dominical e quem o executa. E, diante de tal costume tão solidificado, é talvez um pouco difícil mudá-lo de uma hora para outra; mas nada mais eficaz do que uma clara catequese que certamente será compreendida por quem quer se corrigir – aquém de seus próprios gostos, e obedecida por todos quantos são obedientes.

É de se reconhecer que é pouco clara e passível de ambiguidade a rubrica do livro típico para a pesquisa sobre esta dúvida. Contudo, à luz de rubricas sobre o mesmo assunto presentes outros livros litúrgicos e na leitura de esclarecimentos de manuais oficiais de Liturgia, a até então obscura rubrica do Rito da Comunhão no Missal Romano é capaz de por, uma vez por todas, termo à pergunta:

É permitido aos fiéis abrir os braços enquanto rezam o Pai nosso durante a Missa?

Sim, estamos falando em permissão. Ainda nos perguntamos se não seria mais viável usar “certo” ao invés de “permitido”. Mas, como sabemos que as rubricas são leis promulgadas pela autoridade pontifícia, à qual está sujeita tanto a hierarquia eclesiástica como os fiéis leigos, falamos em “permissão”; pois, mesmo que todos sejam livres para rezarem segundo as suas disposições e sua sensibilidade, durante as celebrações litúrgicas, as leis ordenam a forma e o comportamento a serem observados por quem preside e por quem assiste (e para desfazer qualquer crítica dos ferrenhos defensores do termo “participar liturgicamente”, citamos as 2ª e 3ª definições do verbo assistir do Priberam: “estar presente para auxiliar ou acompanhar; cooperar, auxiliar”. Bom, quem coopera em algo, não permanece inerte. Certo?). Mas, como o termo “participar” está presente por 3 vezes na Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, não omitiremos o seu real significado que não exclui o termo “assistir”.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller, Bispo de Frederico Westphalen,
abre os braços durante a celebração da Missa em sua Catedral.
Gesto puramente sacerdotal e do ministro ordenado que celebra 

1º MOTIVO: Reza a 2ª rubrica do Rito da Comunhão, logo após a monição ao Pater noster:

Extendit manus et, una cum populo, pergit:

Esta rubrica é uma continuação da anterior (onde pede que o sacerdote una as mãos para a monição), sobre o convite à oração; portanto, o “extendit” (estende/abre os braços) refere-se ao sacerdote. O “una cum populo, pergit” (com o povo, continua) não indica que o povo prossiga com o mesmo gesto (braços abertos) do sacerdote, mas que o sacerdote continue com o povo a oração à qual ele convidou com a monição anterior.

A rubrica sobre o mesmo gesto ao recitar o Pater noster é mais clara no Rito da Comunhão da Celebração da Paixão do Senhor:

“Sacerdos, extensis manibus, et omnes praesentes prosequuntur:

O “extensis manibus” é entre vírgulas para referir-se apenas ao termo precedente “sacerdos, enquanto que a oração é dita por todos.

Abaixo, um vídeo do Papa Bento XVI convidando a assembleia à recitação do Pater, onde vemos que só o Celebrante e os concelebrantes abrem os braços, mas não o povo:

2º MOTIVO: Há gestos que são exclusiva e ordinariamente sacerdotais e outros , mais estritamente, de quem celebra. O abrir os braços, ou unir as mãos, fazer em si o sinal-da-cruz às palavras “sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu” do Cânon Romano etc. são próprios do ministro ordenado que preside ou que concelebra. Portanto, se um bispo ou um sacerdote estiver presente numa Missa, mas não presidir ou concelebrar, não abrirá os braços para recitar o Pater noster, nem executará os outros tantos gestos que os ministros que concelebram estiverem fazendo.

O abrir os braços não é um gesto inclusivo de todos que recitam a Oração dominical. O que inclui a todos é justamente todos recitarem as mesmas palavras da oração. O(s) sacerdote(s) que celebram estão como únicos mediadores entre a assembleia e Deus e, portanto, abrem os braços, como Moisés o fez quando intercedeu pelo povo e este ganhava a batalha de Refidim.

Nunca vimos alguém abrir os braços junto com o sacerdote quando este abre os seus à oração da Coleta! Ora, esta oração reúne todas as intenções que os fiéis têm consigo para a Santa Missa; todavia, ninguém nunca se sentiu excluído ou desprestigiado por não abrir seus braços como o faz o sacerdote (e somente este, e não também os concelebrantes, quando há).

É igualmente reprovável estender as mãos durante a doxologia que encerra a oração eucarística. Tal gesto pretende oferecer, junto com o sacerdote, o Senhor sacramentalmente presente nas Sagradas Espécies; isso só é feito pelo sacerdote, auxiliado por um diácono, quando houver, ou, em sua ausência, por um concelebrante, quando houver; senão, só o sacerdote executa o gesto de oferecer a Deus Pai a Vítima incruelmente imolada sobre o altar.

Portanto, dadas as circunstâncias de abrir os braços nas celebrações litúrgicas um gesto exclusivamente competente ao ministro ordenado que preside (e que concelebra), não convém que os fiéis acompanhem o mesmo gesto, mas que participem vocalmente da recitação da Oração do Senhor. Senão, fiéis e ordenados com os braços abertos ao mesmo tempo, dará impressão que todos são iguais hierarquicamente; o que é uma grande mentira.

Obs.: Também criou-se um costume “contrário”: obedecendo “demais” à regra de não pronunciar o “Amém” ao fim do “Pai nosso” na Missa e em outros ofícios litúrgicos, em função do embolismo que vem adiante “Livrai-nos de todo mal, ó Pai”, é difícil o ouvirmos em outras ocasiões, quando em sua recitação no Santo Rosário. Mas, sabemos que só não diremos “Amém” nas celebrações litúrgicas. Fora delas, o diremos.

Nesse vídeo da Missa na Solenidade de São Pedro e São Paulo em 1985, vemos que até mesmo Mons. John Magee, então mestre-de-cerimônias pontifício, não abre os braços para rezar, pois não está concelebrando a Missa:

 

 

 

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Alberto Rosa Fioravanti
Visitante
13 anos atrás

É realmente uma pena que a participação dos fiéis nas missas sofreu tantas modificações.  Abrir braços, levantar braços e gesticular como acenando, bater palmas, nada disso encontro nas missas celebradas pelo Papa e em muitas igrejas católicas espalhadas pelo mundo. Isso seria coisa brasileira para atrair o povo como para um show?

convidaddo
convidaddo
Visitante
Responder para  Alberto Rosa Fioravanti
13 anos atrás

Isso mesmo: uma permissão assim gera outras “permissões”, fazendo com que pulem, caiam no chão, rodem, dancem, andem de skate e tantas outras concessões prejudiciais à fé de muitos… Viva a Sagrada Tradição!!!

Cecy Pinheiro Neves
Cecy Pinheiro Neves
Visitante
13 anos atrás

Infelizmente nas paróquias, durante a Missa, na hora do Pai Nosso, aqueles que não abrem os braços são criticados.
Assim como no Terço, são poucos os que dizem “amém” no final do Pai Nosso. E também após a leitura do Evangelho há os aplausos.

Obrigada e muita PAZ.

Igor Victor Csa
Igor Victor Csa
Visitante
Responder para  Cecy Pinheiro Neves
11 anos atrás

Dizer “amém” no terço pode ou não pode? rs

Erick Marçal
Erick Marçal
Visitante
Responder para  Igor Victor Csa
11 anos atrás

Pode sim, Igor, pois o motivo pelo qual não dizê-lo na Missa difere da razão do Terço. Na Missa, há oração que complementa os pedidos do Pai Nosso. No Terço não.

Erick Marçal
Erick Marçal
Visitante
Responder para  Igor Victor Csa
11 anos atrás

Pode sim, Igor. A regra da qual falamos na Missa só é válida para o Pai Nosso rezado na Liturgia.

Thaina Chaves
Thaina Chaves
Visitante
13 anos atrás

Estou adorando o site!
Que busquemos o verdadeiro!

In Cordis Jesu

Nivaldo
Nivaldo
Visitante
11 anos atrás

A igreja católica como qualquer outra organização precisa criar regras, normas e procedimentos para que haja o máximo de padronização dos ritos. Isto se chama “burocracia”, ela deve existir pelos motivos que citei, se não vira bagunça. Porém eu acredito que quando a burocracia começa ficar mais importante que a essência é porque a organização está caminhando para o seu fim.
Eu ouvi uma frase que me marcou e no meu entender representa bem esta situação, “O mundo está cada vez mais cheio de católicos, evangélicos, plesbiterianos, etc, etc. porém menos cheio de Cristãos.

Theodore Wiser
Visitante
10 anos atrás

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Monica Ribeiro Silva
Monica Ribeiro Silva
Visitante
9 anos atrás

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