Direto da Sacristia
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Habemus Nuntium

Postado em 10 Fevereiro 2012por E. Marçal

Arcebispo Giovanni D’Aniello
da sede titular de Paestum

Como era anunciada nestes últimos dias como nomeação certa, hoje o Santo Padre Bento XVI nomeou como Núncio Apostólico no Brasil S.E.R. Mons. Giovanni D´Aniello, Arcebispo titular de Paestum, até agora Núncio Apostólico na Tailândia e no Camboja e Delegado Apostólico em Myannar e em Laos, funções que exercia desde 22 de setembro de 2010.

O prelado tem 57 anos e nasceu em Aversa, comuna italiana distante 218 km de Roma. É Doutor em Direito Canônico e ingressou no serviço diplomático da Santa Sé em 1983, até que em dezembro de 2001 foi eleito Arcebispo e Núncio Apostólico no Congo.  Portanto, foi sagrado bispo pelo Beato João Paulo II, assistido pelos Em.mos Cardeais Sandri e Sarah, em 06 de janeiro de 2002.

Ao que indica, estava exercendo magistralmente a sua missão diplomática. Aqui no Brasil, a ele “é confiado o encargo de representar estavelmente o Romano Pontífice junto” (Código de Direito Canônico, cânon 363 § 1) ao Governo brasileiro – que há pouco tempo ratificaram o Acordo assinado em 2008 pelo Papa Bento XVI e pelo então Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva. Ainda segundo o mesmo Código, além de também representar o Sumo Pontífice junto às Igrejas particulares, ainda informará à Sé Apostólica:

1. Sobre as condições em que aquelas se encontram, a respeito da vida da Igreja e ao bem das almas;

2. Assistir, com atuação e conselho, aos Bispos, sem prejuízo do exercício do  legítimo poder destes;

3. Estimular frequentes relações com a Conferência dos Bispos, dando a ela toda a ajuda possível;

4. Quanto à nomeação dos bispos, comunicar ou propor à Sé Apostólica os nomes dos candidatos, bem como instruir o processo informativo sobre estes, de acordo com as normas dadas pela Sé Apostólica.

[..] Cânon 364.

A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 18 de abril de 1961 conservou aos Legados Pontifícios (nome oficial previsto pelo Direito) o privilégio de ser ele o decano do Corpo Diplomático no Estado onde representa o Romano Pontífice, que implica tomar a palavra em nome do Corpo Diplomático em ocasiões solenes e resolver conflitos que possam surgir entre algum embaixador e o Estado no qual reside.

A sede da Nunciatura Apostólica no Brasil é isenta do poder de regime do Arcebispo de Brasília, onde ela situa-se, a não ser quanto à celebração de matrimônios (Cânon 366). Ao Núncio é lícito, ademais, com prévio aviso, fazer celebrações litúrgicas, mesmo pontificais, em todas as igrejas de sua delegação. O Brasil foi a primeira nação das Américas a possuir um representante pontifício.

Desde que aqui foi ereta a nunciatura pontifícia, em 1807 (ainda colônia de Portugal), todos foram italianos os 23 Núncios que exerceram a missão diplomática. Segundo pesquisas do diplomata Hildebrando Accioly – embaixador do Brasil na Santa Sé de 1939 a 1944, publicadas em seu livro “Os primeiros Núncios no Brasil”, dada a relevância e o prestígio da Igreja no Brasil, sua Nunciatura goza da categoria de primeira classe (como gozava, na época de sua ereção, Viena, Paris, Madri e Lisboa), com um privilégio requerido por sua natureza e, ainda, pelo Império da época: o Núncio, após o término de sua missão como Legado Pontifício no Brasil, é criado Cardeal. É um privilégio, sendo ou não ratificado na prática mediante a decisão da Santa Sé. Assim ocorreu aos Arcebispos Enrico Gasparri e Benedetto Masella: o primeiro, ainda como Núncio aqui, foi criado Cardeal no consistório de 1925 e, depois de 8 anos, nomeado Prefeito da Assinatura Apostólica; o segundo – tendo sido Núncio aqui por impressionantes 27 anos, ainda nesta missão foi criado Cardeal no consistório de 1946 e, depois de  8 anos, nomeado Prefeito da então Sacra Congregação para a Disciplina dos Sacramentos, e posteriormente, Camerlengo e Arcipreste da Basílica Lateranense.

Como já foi dito, o Arcebispo D´Aniello tem uma missão muito laboriosa à frente: supervisionar as 275 circunscrições eclesiásticas, das quais em 2012 30 aguardarão um novo bispo.

Que o Todo-poderoso Se digne conduzi-lo no novo ofício ao qual lhe chama o Santo Padre e nele possar ser fiel, sabendo que o destino de milhões de almas, sendo de seu ônus a nomeação de todos os bispos, está em suas mãos.

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