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O Cardeal Burke é homofóbico? Um homossexual responde

Postado em 08 novembro 2014 by E. Marçal

O Cardeal Raymond Burke, norte-americano, sempre foi conhecido por seu pensamento conservador, alta inteligência, primoroso serviço e amor à Igreja, mas de opiniões claras, publicadas e seguras. Ganhou ainda mais visibilidade — ele e suas opiniões — nos debates jornalísticos que precederam o Sínodo da Família (em outubro de 2014) e suas declarações durante a realização desta reunião no Vaticano a respeito da família cristã e os novos desafios, entre eles as situações de casais homoafetivos — o casamento, a adoção de filhos etc. Com isso, o purpurado foi descrito e tornou-se conhecido por alguns como homofóbico, por expressar o que, na verdade, é a doutrina da Igreja que, inalterada, corresponde ao que Ela sempre ensinou firmada nas Escrituras.

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Contudo, um artigo publicado na revista “Celebrate Life”, escrito por Eric Hess, um dos maiores ativistas gays da história de Wisconsin (EUA), demonstra a todos o verdadeiro caráter do Cardeal Burke, sua preocupação pastoral e sua paternidade espiritual, mediante uma história pessoal.

Eric relata que sua infância foi turbulenta por causa do alcoolismo de seu pai e da violência advinda disso. Segundo ele, isto o fez “buscar o amor do meu pai nos braços de outros homens”. Sua juventude teve muita confusão afetiva, cuja revolta foi causada pela doutrina moral da Igreja sobre os anticoncepcionais publicada por Paulo VI em sua polêmica encíclica “Humanae Vitae”, em 1968. Eric passou a reivindicar o pretenso direito ao aborto e de posições da causa gay. Por fim, fez sua apostasia à Igreja, a renúncia à sua fé católica: em 1995, simbolicamente, colocou dentro de uma caixa sua Bíblia, todas as imagens religiosas que venerava desde a sua infância e uma carta de renúncia à Igreja, tal como faz um funcionário quando é dispensado de um emprego ou quando se demite de uma empresa, como é típico dos filmes norte-americanos. Ele enviou a caixa ao então Bispo de “La Crosse”, no seu Estado de Wisconsin, o atual Cardeal Burke.

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Para sua surpresa, o Bispo respondeu à sua carta, falando de sua tristeza pela decisão, mas que a respeitava e a comunicaria à paróquia na qual Eric fora batizada, para que isto, como é canonicamente previsto, fosse notificado no Livro de Batismos, pois a renúncia declarada à fé católica que recebeu constitui pecado grave e é algo tão grave que a Igreja aplica ao apóstata a gravíssima e alta pena de excomunhão automática. O Bispo, contudo, ainda disse que rezaria por ele e que desejava que Eric se reconciliasse com a Igreja.

Isto, porém, irritou Eric. Ele não esperava palavras como esta, de um lado aceitando sua decisão, mas, de outro, esperando o fim daquele triste erro. “Que arrogante!”, pensou. E ele, que era um dos ativistas gays do Estado de Wisconsin, escreveu uma nova carta ao Bispo, contudo, agora acusando-o de assédio. “Meus esforços por desanimá-lo caíram por terra”, pois Dom Burke lhe respondeu dizendo que não enviaria a ele mais nenhuma carta, mas, se quisesse se reconciliar com a Igreja, ele o receberia de braços abertos.

O tempo passou e Deus “não desistiu de mim”, pois, conta Eric que conversou com “um bom sacerdote”, cujas orações se uniram às do Bispo.

Enfim, em 14 de agosto de 1998, véspera da Solenidade da Assunção da Virgem Maria, foi um marco numa nova reviravolta na vida de Eric: ele estava num restaurante chinês com seu namorado há mais de 8 anos e sentiu que a graça divina o tocava e o chamava a se reconciliar com a Igreja mediante o Sacramento da Confissão, se arrependendo de seus pecados e pedindo remissão também da apostasia, para retornar à plena prática da fé católica. Enquanto voltam para casa, após a tarde daquele dia, Eric disse ao seu namorado: “Preciso voltar à Igreja Católica”. Isto representava o fim do namoro. Mais tarde, ligou para Dom Burke, que ainda foi Bispo de “La Crosse” até 2003, “para que ele fosse o primeiro a saber que eu estava voltando para a Igreja. Então, marcamos um encontro”.

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Um mês após se confessar ao sacerdote que era seu diretor espiritual, Eric esteve na sala do Bispo, que o abraçou. Perguntou a ele se lembrava de tudo quanto estava na caixa que lhe havia enviado anos antes. “É claro que eu me lembrava”, disse. Então, Dom Burke devolveu a ele sua caixa, “dizendo que sempre acreditou que eu voltaria”. por isso, prudente e sabiamente, guardara a caixa consigo.

Sobre a participação do Cardeal Burke no Sínodo dos Bispos 2014, sobre a família, e suas opiniões em entrevistas e artigos, enquanto muitos o acusaram de homofobia, Eric Hess confessa que, na verdade, o purpurado “é difamado em sua fidelidade a Deus, à Igreja e às almas. Posso dizer que é um pastor de verdade, que, para mim, se tornou um pai espiritual, imagem do nosso Pai do céu.

Com tradução de Aleteia .

O “Habemus Papam” terá voz italiana

Postado em 12 junho 2014 by E. Marçal

O Protodiácono, as Ordens dos Cardeais e os processos de promoção

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A função mais conhecida e visionada do Cardeal-Protodiácono é o anúncio do novo Papa
Na imagem, o então Protodiácono Tauran anuncia a eleição de Jorge Bergoglio como Papa Francisco
© Getty Images

Protodiácono é o Cardeal-Diácono mais antigo segundo o dia e a precedência de sua criação cardinalícia. Quando o Papa anuncia os novos Cardeais que ele criará, ele o faz segundo uma ordem pré-determinada, com motivos próprios. Por exemplo, quis o Papa Francisco que Lorenzo Baldisseri fosse o prmeiro Cardeal-Diácono no anúncio do primeiro consistório de seu pontificado. Depois, o primeiro Cardeal-Presbítero deste consistório em 22 de fevereiro de 2014 foi Vincent Nichols, Arcebispo de Westminster (Inglaterra). Sendo assim, cada consistório tem seus Cardeais mais antigos em cada uma das 3 Ordens Cardinalícias, contudo, para ser o mais antigo de uma Ordem, prevalece o mais antigo prelado vivo naquela Ordem.

Isto acontece porque o próprio Colégio Cardinalício é dividido em três Ordens, segundo as origens destes prelados, membros do Clero de Roma, nas funções que desempenhavam na Cidade. Os cardeais-diáconos recebem simbolicamente antigas igrejas de Roma que eram confiadas aos diáconos, que no início da Igreja tiveram grande destaque principalmente nas obras de caridades. Os cardeais-presbíteros eram os sacerdotes de Roma e hoje, normalmente, são os Arcebispos de grandes dioceses que integram o Colégio. E, por fim, a mais nobre Ordem, a dos Bispos, recebem simbolicamente as catedrais das 6 dioceses suburbicárias (ao redor) de Roma, que remontam aos primeiros séculos, mas não as governam, pois elas possuem bispos diocesanos próprios. Contudo, com o apoio do Concílio Vaticano II, também os Patriarcas orientais são criados Cardeais-Bispos, mas não recebem igrejas latinas, permanecendo, portanto, com as suas igrejas catedrais como título.

Il-Papa-si-dimetteMetade dos Cardeais-Diáconos, num total de 30 nas três Ordens Cardinalícias,
criados por João Paulo II no consistório de setembro de 2003

 

Um Cardeal pode ou não permanecer até a sua morte na Ordem Cardinalícia na qual foi inscrito. Os Cardeais-Bispos latinos são os cardeais-chefes dos principais dicastérios da Cúria Romana. Portanto, ainda que algum chefe tenha ingressado no Colégio por outra Ordem (o que é mais normal e comum), vagando um lugar entre os Cardeais-Bispos, ele pode ser promovido.

Há outro processo de ascensão no Colégio mais comum: Optatio, do latim, “Opção”. Evidentemente no termo, significa que um Cardeal-Diácono tem a livre escolha, o direito de pedir para ser promovido à Ordem seguinte, a dos Presbíteros. Contudo, somente após 10 anos de sua criação cardinalícia.

As primeiras Optationes do pontificado do Papa Francisco e o novo Protodiácono

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O Cardeal Tauran é membro do serviço diplomático da Santa Sé
e, enquanto era o Cardeal-Diácono mais antigo, ocupava a função de Protodiácono.
Em março de 2013, anunciou pela primeira e única vez a eleição de um novo Papa,
mas com claros sinais do Mal de Parkinson do qual padece desde 2012,
quando desmaiou concelebrando a Missa de Páscoa com Bento XVI

Os mais antigos Cardeais-Diáconos são os criados por João Paulo II no consistório de 2003 e, deles, o Cardeal Tauran foi o primeiro nomeado da lista. Onze foram criados Cardeais-Diáconos em 28 de setembro de 2003. Portanto, passaram-se pouco mais de 10 anos e lhes assistiu o direito da Optatio.  O rito ocorre durante um consistório (reunião de cardeais com o Papa) para o voto das causas de canonização. O último fora o do voto para a canonização de João XXIII e João Paulo II, em 30 de setembro. Hoje, 12 de junho, no primeiro consistório após vigorar o direito da Optatio.

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O Cardeal Martino, novo Protodiácono, tem 81 anos e já serviu nas Nunciaturas da Santa Sé
no Brasil, Nicáragua, Tailândia, Singapura e Malásia, sendo inclusive Núncio em algumas delas

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O Cardeal Martino saúda o Papa Francisco, cujo sucessor ele anunciará do balcão central da Basílica de São Pedro no Vaticano
© Radio Vaticano

Portanto, tendo 6 Cardeais-Diáconos (5 morreram) de 2003 pedido para acender à Ordem dos Presbíteros, e, entre eles, o então Protodiácono Jean-Louis Tauran, a antiguidade na Ordem dos Diáconos passou o Cardeal Martino, que não solicitou a sua promoção à Ordem dos Presbíteros e, com 81 anos, já não é mais eleitor papal, mas pode receber votos em conclave.

Os Cardeais-Diáconos que solicitaram a ascensão à Ordem dos Presbíteros não mudam de igrejas (chamadas de “diaconias”) para as quais foram nomeados quando de sua criação cardinalícia. Ao contrário, as suas diaconias são chamadas títulos presbiterais pro hac vice (“por enquanto”, do latim) durante o tempo que eles as ocuparem.

As funções do Protodiácono são anunciar o nome do novo Papa e impor a ele o pálio pastoral no início da Missa de inauguração do pontificado.

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Mais fotos da celebração do consistório de hoje, reunião de Cardeais com o Papa para decidir a canonização de Beatos e atualizações do Colégio Cardinalício, como a Optatio:

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O Cardeal Amato, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos,
lê ao Papa Francisco e aos Cardeais residentes em Roma e reunidos em consistório
os nomes dos 6 beatos cuja canonização foi aprovada para o dia 23 de novembro de 2014
© Radio Vaticano

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Mons. Guido Marini, Mestre das Celebrações Pontifícias, anuncia aos presentes
o rito de
Optatio de 6 Cardeais-Diáconos para a Ordem Cardinalícia dos Presbíteros
© Radio Vaticano

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O Cardeal Tauran saúda o Papa Francisco, de quem anunciou sua eleição em 2013
e agradece a sua promoção a Cardeal-Presbítero
© Radio Vaticano

Novos cardeais em 24 de novembro

Postado em 24 outubro 2012 by E. Marçal

Reservamo-nos o direito de atualizarmos este artigo tão logo dispormos de mais informações

Com informações da Rádio Vaticano

O Santo Padre Bento XVI inesperadamente anunciou na manhã de hoje, durante a audiência-geral na Praça de São Pedro, a criação de 6 novos cardeais em um consistório público no próximo dia 24 de novembro.

Quinto consistório do atual pontificado, é a primeira vez que dois são celebrados no mesmo ano, dado que em 18 de fevereiro passado 22 cardeais foram criados.

Desta vez, só 1 deles é da Cúria Romana. Os outros 5 ocupam sedes episcopais. Dos seis, 2 são de rito oriental. Já era esperado que Sua Beatitude Béchara Raï, Patriarca de Antioquia dos Maronitas (Líbano) e os três últimos, por suas sedes – que são cardinalícias – fossem nomeados cardeais. A propósito, esta certeza quanto ao primeiro permite até que ele já use o hábito de seu rito com detalhes vermelhos. O atual prefeito da Casa Pontifícia, Mons. James Michael Harvey, será nomeado Arcipreste da Basílica de São Paulo Fora dos Muros e, ex officio (pelo cargo), é costume que também seja membro do Senado da Igreja.

Segue-se o elenco dos cardeais nomeados, segundo a ordem do anúncio:

 

James Michael Harvey, 63 anos
atual Prefeito da Casa Pontifícia

Béchara Boutros Raï, 72 anos
Patriarca de Antioquia dos Maronitas

Baselios Cleemis Thottunkal, 53 anos
Arcebispo-maior de Trivandrum dos Siro-malakares (Índia)

John Olorunfemi Onaiyekan, 68 anos
Arcebispo de Abuja (Nigéria)

Rubén Salazar Gómez, 70 anos
Arcebispo de Bogotá (Colômbia)

Luís Antonio Tagle, 55 anos
Arcebispo de Manila (Filipinas)

Mons. James Harvey, arcebispo titular de Memphis ocupa há 14 anos o governo da Prefeitura da Casa Pontifícia que tem, segundo a Constituição da Pastor Bonus, como função “ocupa-se da ordem interna relativa à Casa Pontifícia e dirige, naquilo que se refere à disciplina e ao serviço, todos os que constituem a Capela e a Família Pontifícia” e assistir “o Sumo Pontífice, quer no Palácio Apostólico quer quando realiza visitas em Roma ou na Itália”. Portanto, o Arcebispo é muito visto acompanhando o Santo Padre nas procissões, ao lado do secretário pessoal de Sua Santidade. Mas, logo mais será Arcipreste da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, cargo hoje ocupado pelo Cardeal Francesco Monterisi e que, por limite de idade, pedirá renúncia.

Baselios Cleemis Thottunkal será o mais jovem cardeal da Igreja, com 53 anos.

O Arcebispo de Manila é polêmico em suas declarações.

O arcebispo-mor dos ucranianos, de 42 anos.
Apesar de sério candidato à púrpura, não foi desta vez…

Apesar da expectativa, o Arcebispo-mor dos ucranianos, Sviatoslav Shevchuk não foi nomeado. Poderia justificar essa negação pelo fato de o Cardeal Husar ainda ser eleitor, mas ele completará 80 anos em fevereiro próximo!

O Papa Pio XI convocou mais de um consistório público para a criação de novos cardeais nos anos de 1923, 1925, 1926, 1927 e 1929.

Com o recente anúncio de novos cardeais, a partir do 24 novembro próximo o Colégio Cardinalício contará com 211 membros, 122 dos quais com direito a voto num eventual conclave.