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O azul na Liturgia, por Mons. Guido Marini

Postado em 21 dezembro 2013 by E. Marçal

Esta não é a primeira vez que discutimos aqui sobre o uso da cor azul nos paramentos litúrgicos. Contudo, acreditamos que é a última sobre se ela ainda configura-se um privilégio ou não dado pelos Papas a algumas ocasiões, como o território espanhol, duas igrejas em Portugal, entre outras. Falamos que é a última vez porque não temos mais dúvidas, pois, mesmo diante da falta de documentos recentes sobre o assunto, acreditamos no que disse Mons. Guido Marini a este que vos fala, Erick Marçal, quando o recebeu na sede do Departamento para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, no primeiro andar do Palácio Apostólico do Vaticano, quarta-feira, 11 de dezembro, quando já era concluída a audiência-geral do Papa Francisco na Praça de São Pedro.

Chegamos, um jesuíta e um amigo portugueses e eu, à sede do Departamento por volta do meio-dia, depois de passarmos por guardas suíços pontifícios no Portão de Bronze. Fomos recebidos por Pe. Ján Dubina, Oficial do Departamento, e com ele aguardamos entrar na sala de Mons. Marini, enquanto, da janela da ante-sala, recebíamos a bênção apostólica dada pelo Pontífice ao fim da audiência-geral. Poucos minutos se passaram ali e eis que Mons. Marini abriu a porta de sua sala e cordialmente nos recebeu.

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Mons. Guido Marini simpaticamente conversa durante a nossa visita
e fala-nos sobre sua vocação sacerdotal e o privilégio do azul na Liturgia
© Imagem: Erick Marçal/Direto da Sacristia

Entre as conversas de apresentações nossas e sobre sua vocação e seu trabalho no Vaticano, eu lhe expus a dúvida que ainda paira sobre muitos a respeito da validade do privilégio do azul a alguns territórios: se ainda permanece ou, se não, é possível que universalmente seja usado. A confiança no juízo sobre este assunto e na resposta de Mons. Marini não é apenas pela sua perícia (prática) em Liturgia, mas ainda mais por seu estudo. Pessoas como o Reverendo Monsenhor não apenas executam rubricas litúrgicas porque elas simplesmente existem, mas o fazem sabendo o motivo daquilo. A propósito, ele nos disse que sua vocação nasceu pela Eucaristia. Portanto, toda a sua vida, desde o início até o presente, está ligada à Liturgia.

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Um sacerdote espanhol paramentado com casula romana em cor azul,
segundo o privilégio papal dado também ao seu país,
em vista da defesa para a proclamação do dogma da Imaculada Conceição
Atente-se que o azul é previsto pela Liturgia na Espanha unicamente na Solenidade da Imaculada Conceição
circunstância que é vista na foto deste ano
Créditos: Facebook

Mons. Marini explicou que, não existindo documentos recentes sobre o privilégio do azul às situações e locais conhecidos (Espanha, Portugal, Instituto Cristo Rei, entre outros), deve ser observado o direito consuetudinário, ou seja, a continuidade da lei segundo os usos e costumes pautados na legislação mais recente. Em poucas palavras: o azul continua configurando-se um privilégio papal. Notemos que nem mesmo no Vaticano ele é usado. Sob a guia de Mons. Guido Marini, o azul já esteve no galão da casula gótica que Bento XVI usou na Solenidade de Maria, Mãe de Deus em 1º de janeiro de 2010. Contudo, em 08 de setembro de 2007, Bento XVI usou uma casula com cor (entre outras cores) azul no Santuário mariano de Mariazell, mas não sabemos se (unicamente) a cor azul é um privilégio ao Santuário, por ser dedicado à Virgem Maria.

Por fim, é nisto que ainda mais acreditamos neste Direto da Sacristia: o azul nos paramentos litúrgicos ainda é um privilégio papal. Com a confirmação dada por Mons. Guido Marini, o contrário só será considerado mediante uma alteração pelo Papa nas rubricas litúrgicas.

Lourdes e o Dogma

Postado em 11 fevereiro 2012 by E. Marçal

Em 1830, a Virgem Maria disse à Santa Catarina Lauboré

que desejava ser invocada segundo a jaculatória:

“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

Em 1854, o Beato Pio IX promulgou o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Santíssima,

que foi confirmado por Ela em Lourdes quatro anos depois –

“Finalmente, com braços erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”

(De uma carta de Santa Maria Bernarda Soubirous)

Resposta do Vaticano à petição de um Ano Mariano

Postado em 12 setembro 2011 by E. Marçal

Do Fratres in Unum

Secretaria de Estado responde ao pedido de um Ano Mariano

em comemoração aos 300 anos do Tratado de São Luís Maria Monfort

Há alguns meses começou a circular na blogosfera católica uma petição de assinatura eletrônica suplicando ao Santo Padre a graça de ele proclamar, visto o eminente aniversário do famoso supracitado Tratado de consagração e devoção marianas, um Ano Mariano também em comemoração aos 25 anos do último Ano proclamado pelo Beato João Paulo II. Ainda segundo as palavras da postulação,  “uma onda imensa de Consagrações (a Jesus por Maria) poderia ser feita em toda a Igreja”.

Por fim, um leigo recebeu (não sei o motivo de ser ele a receber) uma resposta ao pedido por parte de um monsenhor do Departamento para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado de Sua Santidade. No texto, que abaixo poderá ser lido na íntegra, o sacerdote também deixar transparecer em interpretação que o mesmo pedido só poderá ser apresentado e considerado se for feito pela “autoridade eclesiástica local”, a entender-se o Bispo. Portanto, parece que agora passamos à uma nova fase para um possível Ano Mariano: que nossos bispos enviem ao Papa o desejo de seus fiéis.

 

Eis o texto:

_________________________

Prezado Senhor,

O Santo Padre acolheu com muita satisfação a mensagem que Lhe enviou para felicitá-Lo no dia de São Pedro e São Paulo, ocasião do Jubileu de Diamante da Sua Ordenação Sacerdotal (1951 – 29 de junho – 2011).

Grato pela presença orante e partilha fraterna nas referidas comemorações, Sua Santidade o Papa Bento XVI retribui com uma menção particular, na Santa Missa, das intenções do senhor Franklin e das pessoas que lhe são caras, a todos concedendo, como penhor de abundantes dons celestes, a Sua Bênção Apostólica.

Quanto aos assuntos versados, aos quais foi dispensada atenção, tem esta Secretaria de Estado a significar ao signatário: primeiro, não ser norma darem-se elucidações do gênero das solicitadas a nível individual; a posição da Igreja a este respeito encontra-se patente em documentos do Magistério, de caráter universal (Cf. CIC, cân. 844 § 2); por isso, a fim de prosseguir uma exaustiva e louvável busca e ulterior aprofundamento da verdade, talvez seja conveniente contatar um sacerdote ilustrado para dele receber a orientação que porventura possa necessitar. Em relação ao pedido que explicitava, pode esta Secretaria de Estado informá-lo que, como norma, só quando apresentados e recomendados pela competente autoridade eclesiástica local é que tais alvitres têm hipótese de ser tomados em consideração.

Aproveito o ensejo para enviar-lhe os mais sinceros sentimentos de estima e consideração.

Mons. Peter B. Wells

Assessor

______________

Ex.mo Sr.

Franklin Alves dos Santos

 

Olinda (PE)