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Cardeal Burke no Brasil em junho

Postado em 10 maio 2017 by E. Marçal

Pátria de tantos e alguns ilustres Cardeais (a primeira da América Latina a ter membro do Sacro Colégio Cardinalício), o Brasil receberá pela primeira vez a visita do Em.mo Cardeal Raymond Leo Burke, Patrono da Soberana Ordem de Malta e Prefeito emérito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica.

Créditos: Editora Ecclesiae

O purpurado norte-americano de 68 anos vive em Roma pela terceira vez: na primeira metade da década de 1970, como estudante de Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana e depois ordenado como presbítero pelo então Papa Beato Paulo VI; na primeira metade da década de 1980, quando obteve Mestrado e Doutorado em Código de Direito Canônica, pela mesma Gregoriana; e desde junho de 2008, quando o então Papa Bento XVI nomeou-o para o cargo de presidir a suprema corte da Igreja, que julga em nome do Papa. Não se tratou de uma nomeação genérica, mas sobre uma mundialmente reconhecida autoridade no Código de Direito Canônico, com grande e sólida prática. Naquela época, Sua Eminência exercia o ministério episcopal há vinte anos como Arcebispo de Saint Louis, depois de ter sido Bispo diocesano de La Crosse, ambas dioceses nos Estados Unidos da América.

Entre os dias 14 e 21 de junho próximo, nas cidades de Belém (PA), Brasília (DF) , Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) o Cardeal Burke apresentará o seu livro “O amor divino encarnado”.

Para mais informações e mesmo reserva de participação em cada cidade, acesse: https://goo.gl/LmsORQ

Anúncio da Páscoa 2017

Postado em 05 janeiro 2017 by E. Marçal

A tradição litúrgica da Igreja prescreve que a data da Páscoa seja solenemente anunciada na Solenidade da Epifania do Senhor. O texto é presente no rito antigo e foi resgatado pela mais recente edição do Missal Romano de Paulo VI.

No dia que é celebrada a manifestação do Cristo a todos os povos, a Igreja anuncia o dia no qual a Páscoa será comemorada naquele ano. Uma vez que outras solenidades e festas dependem desta data para a sua celebração, elas também são anunciadas, tais como Pentecostes e Corpus Christi.

O texto é conhecido por suas primeiras palavras em latim, Noveritis.

A tradução publicada pela CNBB, contudo, é acrescida de uma parte que não consta no oficial em latim. Isto se deve porque a tradução brasileira é baseada na versão italiana e não na edição publicada e usada pelo Vaticano. Esta última é a que dispomos abaixo.

Finalizada a proclamação solene do Evangelho, o próprio Celebrante (na ausência do Diácono), recita o texto abaixo:

Noveritis 2017

Vídeo do canto do Noveritis no Vaticano

Categorias | Destaque, Liturgia

O Prefeito da Liturgia pede que as Missas sejam “ad Orientem”

Postado em 09 julho 2016 by E. Marçal

Sem sombra de dúvidas, este é o pedido mais corajoso e mais forte desde a influência litúrgica de Bento XVI, precisamente a partir de novembro de 2007: em seu pontificado, o Papa emérito alemão, pouco a pouco, implementou nas liturgias papais tudo quanto escreveu desde que era cardeal, explicando-se como a verdadeira reforma litúrgica desejada pelo Concílio Vaticano II, atualizada, mas sem ruptura com a tradição de tantos séculos.

O pedido ao mundo

Sacra Liturgia

O Cardeal Robert Sarah, o segundo da esquerda para a direita, na sessão de pedido histórico
Imagem: Sacra Liturgia Londres 2016

Londres, noite de 05 de julho de 2016, sessão inaugural da conferência Sacra Liturgia, um evento que é sediado em algumas cidades do mundo. O Cardeal Robert Sarah, desde 2014 Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, nascido na africana Guinea, é um homem de teologia séria, destemido, decidido, tal como de seu continente (entre eles, o Cardeal Francis Arinze, que é seu predecessor na Congregação para o Culto Divino). Sua Eminência surpreendeu o mundo quando pediu que, mesmo na forma ordinária do rito romano, do Missal de Paulo VI, os Celebrantes voltem-se para o fundo da igreja, tal como os fiéis na assembleia. Esta orientação física é comum na forma extraordinária, mais conhecida como rito tridentina. Mas, de fato, em algumas rubricas o Missal ordinário de Paulo VI parece indicar, desde que foi lançado, que o Celebrante de costas e, em alguns momentos, determina que este “voltando para o povo”, faz um gesto. O Cardeal Sarah, sabendo disso, portanto, disse que celebrar “ad Orientem” (ou “versus Deum”) não é contra a reforma litúrgica do Vaticano II.

Cardeal Sarah

O Cardeal Sarah faz seu pedido corajoso e histórico. Ao seu lado, Dom Dominique Rey
Imagem: Messa in Latino

Em inglês, o purpurado disse: “I want to make an appeal to all priests”, isto é, “Eu quero fazer um apelo a todos os sacerdotes”. E também: “And so, dear Fathers, I ask you to implement this practice wherever possible”, ou seja, “E assim, querido Padres, peço-lhes para implementarem esta prática sempre for possível”. E continuou falando que a melhor implementação do Vaticano II na Liturgia, entre outros aspectos, é que todos se voltem para o Oriente, que na maioria das igrejas é o fundo destas. Para tanto, reconheceu que é necessária uma catequese sobre o significado de tal gesto, uma vez que muitos nos últimos 50 anos não o conhecem e não o entendem bem, mas que os pastores sabem que isto é bom para a Igreja e para o nosso povo.

Uma data para o começo

Para grandes mudanças sempre é dado um prazo largo para adaptações. Por exemplo, quando é aprovado e publicado uma nova tradução do Missal num país, é comum estabelecer meses até a obrigatoriedade de seu uso. Entre os anglófonos, há poucos anos, foi dito que o Advento de 2011 seria o marco de início do uso do novo Missal. Semelhante a isso, à distância de mais de 6 meses, o Cardeal Sarah sugeriu que as Missas na forma ordinária “ad Orientem” comecem a ser celebradas a partir de 27 de novembro de 2016, Primeiro Domingo do Advento.

Dom Dominique Rey, Bispo de Fréjus-Toulon (França), presente na conferência daquela noite, após enviar uma carta ao seu clero, respondeu imediatamente que a sua diocese atenderá ao pedido do Cardeal.

Por que o Oriente

A arquitetura eclesiástica preocupou-se em construir as igrejas com o altar principal voltado para o Oriente, o lado nascente do sol, pois o Cântico Benedictus de Zacarias reza que Deus é “o sol nascente que nos veio visitar”. Na verdade, nos primeiros séculos a original liturgia romana já preocupava-se com essa orientação, mas de forma um pouco diversa: não o fundo mas a porta principal das igrejas era construída voltada para o Oriente. Por isso que igrejas verdadeiramente romanas, como a Basílica de São Pedro no Vaticano, hoje ou antigamente, sempre tiveram o Celebrante no altar principal voltado para o povo, mas, na verdade, voltado para o Oriente. Assim, a liturgia romana primitiva sempre teve o altar solto da parede.

Com o desenvolvimento arquitetônico, principalmente por terem corpos ou outras grandes relíquias de santos e possuírem mais decorações, os altares começaram a ser construídos no fundo das igrejas, presos à parede. A liturgia tridentina solidificou esse costume, embora sempre previsse a celebração também em altar no meio do presbitério, tal nas igrejas romanas, como foi dito há pouco.

Bento XVI Capela Paulina

Bento XVI, então Papa, reza Missa no altar antigo da Capela Paulina, no Palácio Apostólico Vaticano
16 de abril de 2016
Imagem: AFP Photo/Osservatore Romano

“Ao Orientem” ou “versus Deum” (“voltado para Deus”, do latim) não é somente um sentido litúrgico, como, obviamente, o altar é Cristo; ou um sentido antropológico, como alguns argumentam que a assembleia é Cristo. Sim, todos nós somos o Corpo de Cristo, que é a Igreja, mas tudo não é Cristo, porque isso é panteísmo. O sentido de voltarem-se todos para uma só direção é a tradição da Igreja e tem sentido teológico. Não é que todos fiquem em torno do altar, a menos que seja uma igreja genuinamente romana, na qual o Oriente é para o lado da porta principal.

Como celebrar a forma ordinária “ad Orientem” ou “versus Deum”

Papa Francisco Sistina versus Deum

O Papa Francisco rezando a Missa do Batismo do Senhor de modo versus Deum
Créditos de imagem desconhecidos

O Cardeal Sarah também disse que o Papa Francisco em abril passado lhe pediu um estudo sobre a reforma litúrgica do Vaticano II e uma pesquisa do enriquecimento mútuo entre o rito antigo e a forma nova. Portanto, esse pedido do mesmo Cardeal já prepara a Igreja no mundo todo para o que, possivelmente, será feito futuramente na liturgia romana. Não é complicado; já vimos os Papas Bento XVI e Francisco fazendo assim no Vaticano:

Os ritos iniciais são comuns. O Celebrante beija o altar e, se houver incenso, incensa-o. Se o altar for separado da parede, caminha em torno dele; se não, incensa segundo o rito antigo, isto é, distribuindo o movimento do turíbulo entre a parte superior, as laterais e a frente do altar. Depois disso, volta-se para o povo e a Missa continua normalmente até a apresentação das ofertas.

Incensação ofertas

Rubrica detalhada do Missal Romano de 1962, da forma antiga, que
complementa os detalhes que faltam ao Missal de Paulo VI quanto a esta incensação

Os vasos sagrados são colocados no altar sempre ao lado direito e o Missal Romano no lado esquerdo. Se houver incensação, ela é feita como no início da Missa, mas adicionando o próprio da incensação das ofertas. Voltado para o povo, o Celebrante diz: “Orai, irmãos e irmãs…” e continua a Missa. No diálogo do Prefácio não se volta para o povo, nem mesmo quando disser “O Senhor esteja convosco”.

PapaFrancisco_VersusDeum_AltarJPII-08 O Papa Francisco rezando Missa de modo versus Deum no altar de São João Paulo II
Vaticano, 31 de outubro de 2013
Imagem: L’Osservatore Romano

Continua a Missa nessa orientação. O Celebrante volta-se para o povo quando disser: “A paz do Senhor esteja sempre convosco” e também quando apresentar a hóstia sobre a patena, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus”. Volta-se para o altar e comunga. Depois da purificação dos vasos, os ritos finais são feitos voltados para o povo.

Com informações da página oficial do Sacra Liturgia – Londres 2016.