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Arcebispos que recebem o pálio este ano

Postado em 27 junho 2012 by E. Marçal

Com informações do News.va e do Ofício das Celebrações Pontifícias

Nesta sexta-feira, dia 29 junho, os Arcebispos metropolitanos promovidos desde o dia 30 de junho do ano passado, recebem do Papa Bento XVI o sagrado pálio arquiepiscopal “como sinal da autoridade em sua circunscrição metropolitana, em comunhão com a Igreja Romana”, como diz o Cardeal Proto-diácono que apresenta em nomes dos Prelados o pedido do Pálio.

Há uma distinção, não presente em todos os países, entre as Arquidioceses – metropolitanas ou não. As primeiras são aquelas que possuem dioceses sufragâneas, ou seja, presidem uma província eclesiástica, e os seus arcebispos têm direito a usarem o pálio arquiepiscopal. As segundas são arquidioceses históricas (não titulares, como aquelas que nomeiam arcebispos não residentes) que perderam as suas dioceses sufragâneas, como também o direito de seus arcebispos serem paramentados com o pálio, e foram incorporadas à outra província eclesiástica; ou seja, mesmo arcebispos residentes de arquidioceses, estes são membros de uma província presidida por metropolitanos. Há quem diga que suspenderam o status de arquidiocese metropolitanas das sedes arquiepiscopais que não possuíam até 1 milhão de habitantes. Um exemplo de arquidiocese não metropolitana, na França, é Avignon, que é da Província Eclesiástica de Marseille desde 2002. Na Itália, não são arquidioceses metropolitanas, por exemplo, Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo (este último nome foi adicionado em 2002 e a cidade de São Pio de Pietrelcina não tem co-catedral); Urbino-Urbania-Sant’Angelo in Vado, que perdeu o status de metropolitana em 2003 e cujo arcebispo foi reitor do Seminario Romano Maggiore até junho de 2011; e até mesmo a Arquidiocese de Gaeta, a única arquidiocese dentre as 18 suburbicárias da Diocese de Roma.

Mas, tratemos da cerimônia deste 29 de junho. Já observamos que a liturgia papal tem evoluído, não de modo prejudicial, mas no sentido de correção de alguns detalhes, não menos importantes, nas cerimônias do Sumo Pontífice. Isso pôde ser visto recentemente, em vista da restauração do uso de seus textos litúrgicos de 1969, na cerimônia do consistório para a criação de novos cardeais; e, desde há alguns anos, na bênção Urbi et Orbi, quando o Santo Padre deixou de usar pluvial e mitra.

Agora haverá mudanças, conforme informou a assessoria de imprensa do Vaticano, também no rito de imposição dos pálios, que não alteram, porém, a sua substância. Uma delas, a mais evidente e a primeira a ser observada, é o lugar da cerimônia na celebração da Santa Missa presidida pelo Papa a partir das 9h, cujo motivo produz aquela sensação de obviedade quando paramos para pensar bem e nos perguntamos por que isso não fora visto antes: na modificação aprovada por Bento XVI, vemos que logo após o canto do “Tu es Petrus”, quando o Papa está ao Altar da Confissão, dá início ao rito de bênção e imposição dos pálios com o chamado dos nomes do arcebispos. Isso foi justificado com duas razões: para evitar que a cerimônia seja interrompida com a longa duração de tempo em que resulta a imposição a 44 prelados presentes e dificulte a atenta e recolhida participação dos presentes; e – a mais despercebida até então – que o Cerimonial dos Bispos, na única versão típica, ou seja, não é própria das cerimônias pontifícias, pede que se evite que a imposição do pálio seja executada após a homilia e, assim, seja assimilada a um rito sacramental, como legitimamente acontece aos ritos do Batismo, da Confirmação, da Ordenação, do Matrimônio e da Unção dos Enfermos. A imposição do pálio, antes, não tem nada de natureza sacramental, mas apenas uma cerimônia litúrgica.

Após a leitura em latim dos nomes dos Arcebispos, estes leem a fórmula de juramento à Igreja e ao Papa; em seguida, tendo os diáconos os pálios trazidos do túmulo de São Pedro, o Papa dá a bênção evocando os méritos e a intercessão do Apóstolo, para aquela “veste de imortalidade”, como o pálio é definido na oração de imposição, sirva para que os arcebispos “se identifiquem como Pastores do seu rebanho” e “traduzam na vida a realidade representada no nome”, e tomando “sobre si o jugo evangélico imposto” a eles, procedam “com o exemplo de fidelidade perseverante”, para merecer serem “levados às pastagens eternas de Seu reino”. Depois de ler, como dissemos, a oração de imposição e impor a insígnia a cada um, o Papa dá o sinal de paz “Pax tibi“. O Arcebispo Lorenzo Baldisseri, Secretário da Congregação para os Bispos, recebe do Santo Padre os Pálios destinados aos Metropolitas ausentes.

Anglicanos cantando na presença do Papa

Após o rito de imposição – segundo o que foi compreendido, ao canto da antífona “Nunc scio vere” e do Introito “Domine, probasti me“, o Papa incensa o altar e inicia a Missa. Os cantos serão executados pelos Coros da Capela Sistina e da Abadia de Westminster. O coro anglicano recebeu o convite, inédito de quase 500 anos do cisma de Henrique VIII, do Maestro da Capela Musical Pontifícia Sistina, Mons. Massimo Palombella, S.D.B, logo após a visita papal à Inglaterra em setembro de 2010. O título formal da Abadia de Westminster é Igreja Colegiada de São Pedro, e isto dará uma ampla importância de os dois coros comemorarem juntos o seu patrono. Além do mais, isto acontece no cenário das recentes e importantes conversões de ministros e fiéis anglicanos à fé católica. Durante a visita de 2010, Bento XVI, conhecido por seu gosto musical clássico e impressionado com o coro anglicano, teria dito ao Arcebispo de Cantuária Rowan Williams que seria uma honra receber as vozes da Abadia em Roma, na Solenidade de São Pedro e São Paulo. O Coro também cantará as Primeiras Vésperas dos Santos Apóstolos, na tarde desta quinta-feira, dia 28, na Basílica São Paulo Fora-dos-muros.

Para muitos especialistas em música, por mais famoso e instruído que seja o Coro da Capela Sistina, o detalhe de ser italiano reduz a qualidade do canto detida pelos inalcançáveis ingleses.

O Gloria e o Credo são da Missa Papae Marcelli. Da Missa De angelis é o Kyrie, o Sanctus e o Agnus DeiO canto no ofertório reza “Hoje Simão Pedro subiu ao patíbulo da cruz, aleluia” e também “Hoje, o Apóstolo Paulo, luz das nações da terra, foi decapitado e coroado com o martírio pelo nome de Cristo”. Durante a comunhão são cantados a antífona “Tu es Petrus“, o Ave, verum Corpus e o Iesu, dulcis memoria. A primeira leitura é feita em inglês, o Salmo responsorial e o Evangelho, em latim, e a segunda leitura é feita em espanhol. As preces são feitas, seguidamente, em português, alemão, polonês, filipino e francês, precedidas por anúncio em latim. É rezado o Cânon Romano, ao qual tomam parte quatro arcebispos.

Faz parte do protocolo exigido por Mons. Guido Marini que os arcebispos se apresentem, meia hora antes, na sacristia vestidos com veste coral: batina violácea com filetes, debruns, botões, caseado, faixa e suas franjas duplas também em violáceo, com roquete sob a mozzeta violácea, e sobre esta a cruz peitoral pendente de cordão de cor verde entrançado de ouro, e o solidéu também violáceo. Diz-se que já houve caso do mestre-de-cerimônias pontifício ter se recusado em admitir à concelebração arcebispo que não estava vestido segundo as exigências; em outras palavras, o arcebispo, vestido daquele modo, não receberia naquele dia o pálio do Santo Padre.

 

Números e observações

Ao todo, 44 dos 46 arcebispos nomeados estarão presentes, dos quais 7 são brasileiros, 4 filipinos, 3 italianos, 3 norte-americanos, 2 mexicanos, 2 indianos, 2 australianos, entre outros. Deles, apenas 20% são professos em institutos religiosos. Há famosos, cada um com um motivo diferente da atenção eclesiástica: o Cardeal recentemente criado Woelki, de Berlim, que ainda mais recentemente provocou polêmica ao estranhadamente defender as relações homossexuais; o Patriarca de Veneza Moraglia, mais uma luz de esperança no episcopado italiano; e o italiano Filippo Santoro, que por 7 anos foi Bispo de Petrópolis, no Estado brasileiro do Rio de Janeiro.

12. Dom Wilson Tadeu Jönck, S.C.I.
Arcebispo de Florianópolis
60 anos

19. Dom José Francisco Rezende Dias
Arcebispo de Niterói
56 anos

20. Dom Esmeraldo Barreto de Farias, Instituto del Prado
Arcebispo de Porto Velho
62 anos

21.Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal
65 anos

30. Dom Airton José dos Santos
Arcebispo de Campinas
56 anos

32. Dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho
Arcebispo de Teresina
55 anos

36. Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba
61 anos

 

1. Cardeal Rainer Maria Woelki
Arcebispo de Berlin (Alemanha);

2. Cardeal Francisco Robles Ortega
Arcebispo de Guadalajara (México);

3. Mons. Francesco Moraglia
Patriarca de Veneza (Itália);

4. Mons. Alfredo Horacio Zecca
Arcebispo de Tucumán (Argentina);

5. Mons. Mario Alberto Molina Palma, O. A.R.
Arcebispo de Los Altos, Quetzaltenango-Totonicapán (Guatemala)

6. Mons. Charles Joseph Chaput, O.F.M. Cap.
Arcebispo de Filadélfia (Estados Unidos da América)

7. Mons. Luc Cyr,
Arcebispo de Sherbrooke (Canadá)

8. Mons. Salvador Piñeiro García-Calderón,
Arcebispo de Ayacucho o Huamanga (Peru);

9. Mons. Francesco Panfilo, S.D.B.
Arcebispo de Rabaul (Papua Nova Guiné);

10. Mons. Ulises Antonio Gutiérrez Reyes, O. de M.
Arcebispo de Ciudad Bolívar (Venezuela);

11. Mons. Stanislaw Budzik
Arcebispo de Dublin (Polônia)

13. Mons. Paul-André Durocher
Arcebispo de Gatineau (Canadá)

14. Mons. Luis Antonio Gokim Tagle
Arcebispo de Manila (Filipinas)

15. Mons. Patrick D’Rozario, C.S.C.
Arcebispo de Dhaka (Bangladesh)

16. Mons. Wiktor Pawel Skworc
Arcebispo de Katowice (Polônia)

17. Mons. Jose F.  Advincula
Arcebispo de Capiz (Filipinas)

18. Mons. Filippo Santoro
Arcebispo de Taranto (Itália)

22. Mons. Joseph Everard Harris, C.S.Sp.
Arcebispo de Port of Spain (Trindade e Tobago)

23. Mons. Waclaw Depo
Arcebispo de Czestochowa (Polônia)

24. Mons. Ignatius Chama
Arcebispo de Kasama (Zâmbia)

25. Mons. Pascal Wintzer
Arcebispo de Poitiers (França)

26. Mons. John Moolachira
Arcebispo de Guwahati (Índia)

27. Mons. William Charles Skurla
Arcebispo de Pittsburgh dei Bizantini (Estados Unidos da América)

28. Mons. Joseph Coutts
Arcebispo de Karachi (Paquistão)

29. Mons. Romulo Geolina Valles
Arcebispo de Davao (Filipinas)

31. Mons. Timothy Costelloe, S.D.B.
Arcebispo de Perth (Austrália)

33. Mons. Thomas D’Souza
Arcebispo de Calcutta (Índia)

34. Mons. Arrigo Miglio
Arcebispo de Palo (Filipinas)

35. Mons. John Forrosuelo Du
Arcebispo de Palo (Filipinas)

37. Mons. Christian Lépine
Arcebispo de Montréal (Canadá)

38. Mons. William Edward Lori
Arcebispo de Baltimore (Estados Unidos da América)

39. Mons. Mark Benedict Coleridge
Arcebispo de Brisbane (Austrália)

40. Mons. Jesús Carlos Cabrero Romero
Arcebispo de San Luis Potosí (México)

41. Mons. Andrew Yeom Soo Jung
Arcebispo de Seoul (Coreia do Sul)

42.Mons. Benedito Roberto, C.S.Sp
Arcebispo de Malanje (Angola)

43. Mons. Alfred Adewale Martins
Arcebispo de Lagos (Nigéria)

44. Mons. Samuel Joseph Aquila
Arcebispo de Denver (Estados Unidos da América)

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Aos seguintes Prelados o Pálio será entregue em suas Sedes Metropolitanas:

45. Mons. Gabriel Justice Yaw Anokye
Arcebispo de Kumasi (Gana)

46. Mons. Valéry Vienneau
Arcebispo de Moncton (Canadá)