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Votos pascais

Postado em 29 abril 2012 by E. Marçal

Ao menos para nós cristãos ainda é Páscoa. E por isso que não me lamento tanto pelo considerável atraso com que publico agora as felicitações pascais do “Direto da Sacristia”. Esse é o primeiro motivo: ainda não terminou o Tempo Pascal. Em segundo lugar foi a demora em concluir a gravação; e contra isso surgiram algumas dificuldades nas quatro tentativas que fiz nessas últimas semanas:

Escolhida a fachada da Igreja e do Mosteiro de São Bento em Olinda para figurar como plano de fundo do vídeo, inicialmente eu pensei que a iluminação solar vespertina projetada sobre a mesma fachada era ideal – sombra para mim e luz para o plano de fundo. Contudo, nas 3 vezes que tentei gravar, eu nunca conseguia gravar tudo a tempo, e o sol ia embora mais uma vez. E sem falar na memorização do que eu tinha que falar (eu não tenho um contra-regra apresentando o texto atrás da câmera); e na dicção, que nem sempre era boa; e no vento contra o microfone da câmera (algo que ainda poderá ser confirmado no vídeo a seguir); os simples transeuntes no pátio externo do Mosteiro (que é bem movimentado) ou até mesmo os curiosos que passavam e pensavam que eu era algum repórter de algum grande canal de televisão (o tripé e a câmera HD ajudaram nessa ideia que possivelmente tiveram), e acabavam inibindo este seminarista que lhes fala… Mas, por alguns desses motivos, acho que mereço compreensão por tentar (pela terceira vez) inovar no Blog e gravar um vídeo, e nem ter preparo profissional para isso. Quem sabe se um dia eu não terei, e vocês são pacientes espectadores meus?!

A grande novidade deste vídeo é a participação de Dom Fernando Saburido, Arcebispo de Olinda e Recife, que já conhecia o Blog e de imediato aceitou em nos dirigir algumas palavras sobre este grande tempo que vivemos por mais algumas semanas adiante. Inseri o seu vídeo dentro do que eu gravei, onde contraponho o significado da Páscoa com, como já conhecemos, os erros de alguns magistrados do Rio Grande do Sul e, o mais grave, do que foi decidido há poucas semanas no Supremo Tribunal Federal.

 

Eis o texto:

 

Surrexit Christus, spes mea!

Igreja e Mosteiro de São Bento, em Olinda, Pernambuco.

As duas atuais construções datam do século 17 e foram construídas no mesmo lugar onde existiam as anteriores, destruídas pelo ódio dos holandeses. Portanto, o que vemos é um marco, dentre tantos, deixados pelos portugueses que aqui plantaram a fé católica. Somam àquela igreja e ao mosteiro centenas de monumentos, ruas, praças, estabelecimentos, instituições e outros que receberam nome de santos católicos ou termos alusivos à nossa fé. E assim, com poucos mais de 500 anos de cristianismo no Brasil, um quarto da história da Igreja, nos orgulhamos de sermos – segundo dizem – o mais país católico do mundo.

Se estes dados já não correspondiam com tanta veracidade ao exercício autêntico e frequente da fé dos brasileiros católicos, no que depende do esforço de alguns, logo, logo serão extintos até mesmo os mínimos sinais cristãos que permeiam a nossa vida cotidiana.

Há algumas semanas, assistimos com perplexidade como alguns magistrados do Rio Grande do Sul viram como uma ofensa à pretensa laicidade do Estado defendida por eles. Exigiram a retirada dos crucifixos dos tribunais de justiça gaúchos. E conseguiram isso. Bom, até que outros consigam a desconstituição de ato administrativo junto ao Conselho Nacional de Justiça. Desse modo, com atitudes como esta, querem acabar com a história e o legado brasileiros. Sim, pois, como falei no artigo “A Terra de Vera Cruz”, quer acabar com um povo? Acabe com seus símbolos. Mas, há quem diga: ter crucifixo ou outros símbolos cristãos em locais públicos, é dar preferência a um credo religioso. Que me desculpem os que não são católicos, mas aqui primeiro não chegaram aqui judeus e construíram uma sinagoga, aqui não chegaram por primeiro muçulmanos e prestaram culto a Alá, nem pastor algum, nem adepto de religião afro-brasileira, nem budista, nem xintoísta, nem pele-vermelha, nem adorador de Satã, nem muito menos algum ateu e prestou culto à razão. Chegaram por primeiro – como todos nós sabemos!, navegadores portugueses que trouxeram consigo sacerdotes católicos, que aqui fincaram uma cruz, aqui rezaram missa, e aqui difundiram a fé católica, que desde sempre esteve presente na história brasileira e por isso nunca poderá ser esquecida ou perder o seu valor.

E o que dizer de tentar excluir também a frase “Deus seja louvado” das cédulas do Real?! O Estado é laico! Sim, mas não é antirreligioso ou anticlerical.

E agora, nesses últimos dias, que não são os últimos, contudo, de permitir no Brasil tudo o que contraria não só nossa doutrina cristã, mas até mesmo os direitos fundamentais humanos, nesses últimos dias, o Supremo Tribunal Federal, com o voto de 8 ministros dos 11 que compõem a Casa, definiram como penalmente imputável o aborto de fetos diagnosticados como anencéfalos. Quantas crianças não verão a luz da vida! Quantas não terão direito até a respirar, porque não atenderão aos conceitos e às expectativas de estética de uma sociedade secularizada e de pais que não amam seus filhos pelo próprio fato de serem seus. Mesmo diante dos possíveis argumentos sobre a saúde psicológica e corporal da mãe, nada justifica abortar, porque Deus não colocou nenhuma exceção ao mandamento “Não matarás”. Não sei para onde estamos indo, quando vivemos com leis que punem – com razão – quem maltrata animais, mas absolvem quem mata seres humanos segundo as mesmas razões do câncer nazista: eugenia!

Mas Cristo ressuscitado, vencedor naquela cruz, está conosco. É Páscoa, triunfo da vida sobre o poder do inferno. Nesse espírito, ouçamos a mensagem do Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido.

O que nos resta a nossa consciência cristã para não acolhermos leis que desafiam a lei eterna, mesmo sabendo que ainda poderão vir mais como essas decisões de ímpios e estultos magistrados. Agradecemos ao voto dos ministros Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski, que se pronunciaram aquém de qualquer ideologia, mas pela defesa incondicional da vida.

Podem tirar-nos os crucifixos, a liberdade religiosa, o direito à vida; podem até mesmo nos tirarem esta vida, como aconteceu a tantas testemunhas de Cristo. Mas, nunca irão nos arrancar a fé e a esperança na justiça divina, porque sabemos que uma outra vida, superior em tudo a esta, nos espera, não por meio de decretos injustos, mas com o alto preço de um Preciosíssimo Sangue, na espera que logo mais não haverá mais uma Cidade de Deus e uma Cidade dos Homens, mas uma só, onde Cristo será tudo em todos.

Feliz Páscoa!

Continuem acompanhando-nos em nossa página no Facebook, no Twitter e, finalmente, no www.diretodasacristia.com

Direto da Sacristia. Porque a beleza da Igreja ensina!

É permitido aos fiéis abrir os braços ao rezar o Pai nosso?

Postado em 23 abril 2012 by E. Marçal

Eis uma dúvida que surge a muitos. Vamos esclarecê-la a partir do pedido que nos fez por e-mail em março passado o nosso leitor Luiz Rocha, de Campo Grande (MS). De fato, não poucas vezes vemos em missas o convite ou feito pelo Celebrante ou pelo grupo de cantores para todos, ou se darem as mãos uns dos outros ou, “somente”, abrir os braços para juntos rezarem o Pater noster. Infelizmente, em muitas paróquias não é aplicada rigorosamente a rubrica do Missal sobre o gesto que acompanha a recitação da Oração dominical e quem o executa. E, diante de tal costume tão solidificado, é talvez um pouco difícil mudá-lo de uma hora para outra; mas nada mais eficaz do que uma clara catequese que certamente será compreendida por quem quer se corrigir – aquém de seus próprios gostos, e obedecida por todos quantos são obedientes.

É de se reconhecer que é pouco clara e passível de ambiguidade a rubrica do livro típico para a pesquisa sobre esta dúvida. Contudo, à luz de rubricas sobre o mesmo assunto presentes outros livros litúrgicos e na leitura de esclarecimentos de manuais oficiais de Liturgia, a até então obscura rubrica do Rito da Comunhão no Missal Romano é capaz de por, uma vez por todas, termo à pergunta:

É permitido aos fiéis abrir os braços enquanto rezam o Pai nosso durante a Missa?

Sim, estamos falando em permissão. Ainda nos perguntamos se não seria mais viável usar “certo” ao invés de “permitido”. Mas, como sabemos que as rubricas são leis promulgadas pela autoridade pontifícia, à qual está sujeita tanto a hierarquia eclesiástica como os fiéis leigos, falamos em “permissão”; pois, mesmo que todos sejam livres para rezarem segundo as suas disposições e sua sensibilidade, durante as celebrações litúrgicas, as leis ordenam a forma e o comportamento a serem observados por quem preside e por quem assiste (e para desfazer qualquer crítica dos ferrenhos defensores do termo “participar liturgicamente”, citamos as 2ª e 3ª definições do verbo assistir do Priberam: “estar presente para auxiliar ou acompanhar; cooperar, auxiliar”. Bom, quem coopera em algo, não permanece inerte. Certo?). Mas, como o termo “participar” está presente por 3 vezes na Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, não omitiremos o seu real significado que não exclui o termo “assistir”.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller, Bispo de Frederico Westphalen,
abre os braços durante a celebração da Missa em sua Catedral.
Gesto puramente sacerdotal e do ministro ordenado que celebra 

1º MOTIVO: Reza a 2ª rubrica do Rito da Comunhão, logo após a monição ao Pater noster:

Extendit manus et, una cum populo, pergit:

Esta rubrica é uma continuação da anterior (onde pede que o sacerdote una as mãos para a monição), sobre o convite à oração; portanto, o “extendit” (estende/abre os braços) refere-se ao sacerdote. O “una cum populo, pergit” (com o povo, continua) não indica que o povo prossiga com o mesmo gesto (braços abertos) do sacerdote, mas que o sacerdote continue com o povo a oração à qual ele convidou com a monição anterior.

A rubrica sobre o mesmo gesto ao recitar o Pater noster é mais clara no Rito da Comunhão da Celebração da Paixão do Senhor:

“Sacerdos, extensis manibus, et omnes praesentes prosequuntur:

O “extensis manibus” é entre vírgulas para referir-se apenas ao termo precedente “sacerdos, enquanto que a oração é dita por todos.

Abaixo, um vídeo do Papa Bento XVI convidando a assembleia à recitação do Pater, onde vemos que só o Celebrante e os concelebrantes abrem os braços, mas não o povo:

2º MOTIVO: Há gestos que são exclusiva e ordinariamente sacerdotais e outros , mais estritamente, de quem celebra. O abrir os braços, ou unir as mãos, fazer em si o sinal-da-cruz às palavras “sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu” do Cânon Romano etc. são próprios do ministro ordenado que preside ou que concelebra. Portanto, se um bispo ou um sacerdote estiver presente numa Missa, mas não presidir ou concelebrar, não abrirá os braços para recitar o Pater noster, nem executará os outros tantos gestos que os ministros que concelebram estiverem fazendo.

O abrir os braços não é um gesto inclusivo de todos que recitam a Oração dominical. O que inclui a todos é justamente todos recitarem as mesmas palavras da oração. O(s) sacerdote(s) que celebram estão como únicos mediadores entre a assembleia e Deus e, portanto, abrem os braços, como Moisés o fez quando intercedeu pelo povo e este ganhava a batalha de Refidim.

Nunca vimos alguém abrir os braços junto com o sacerdote quando este abre os seus à oração da Coleta! Ora, esta oração reúne todas as intenções que os fiéis têm consigo para a Santa Missa; todavia, ninguém nunca se sentiu excluído ou desprestigiado por não abrir seus braços como o faz o sacerdote (e somente este, e não também os concelebrantes, quando há).

É igualmente reprovável estender as mãos durante a doxologia que encerra a oração eucarística. Tal gesto pretende oferecer, junto com o sacerdote, o Senhor sacramentalmente presente nas Sagradas Espécies; isso só é feito pelo sacerdote, auxiliado por um diácono, quando houver, ou, em sua ausência, por um concelebrante, quando houver; senão, só o sacerdote executa o gesto de oferecer a Deus Pai a Vítima incruelmente imolada sobre o altar.

Portanto, dadas as circunstâncias de abrir os braços nas celebrações litúrgicas um gesto exclusivamente competente ao ministro ordenado que preside (e que concelebra), não convém que os fiéis acompanhem o mesmo gesto, mas que participem vocalmente da recitação da Oração do Senhor. Senão, fiéis e ordenados com os braços abertos ao mesmo tempo, dará impressão que todos são iguais hierarquicamente; o que é uma grande mentira.

Obs.: Também criou-se um costume “contrário”: obedecendo “demais” à regra de não pronunciar o “Amém” ao fim do “Pai nosso” na Missa e em outros ofícios litúrgicos, em função do embolismo que vem adiante “Livrai-nos de todo mal, ó Pai”, é difícil o ouvirmos em outras ocasiões, quando em sua recitação no Santo Rosário. Mas, sabemos que só não diremos “Amém” nas celebrações litúrgicas. Fora delas, o diremos.

Nesse vídeo da Missa na Solenidade de São Pedro e São Paulo em 1985, vemos que até mesmo Mons. John Magee, então mestre-de-cerimônias pontifício, não abre os braços para rezar, pois não está concelebrando a Missa:

 

 

 

7 anos de uma eleição perfeita para a Igreja

Postado em 19 abril 2012 by E. Marçal

 

O que o então Cardeal Ratzinger pensava em fazer com o resto dos anos de sua vida, tão logo fosse aceita a sua renúncia ao cargo de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé?

Com cenas de um documentário feito provavelmente entre os anos de 2002 e 2005 (pois o Cardeal fala que já havia pedido renúncia ao cargo), vemos como nem sempre os nossos planos são os de Deus, e não sequer imaginamos o que Ele ainda pode exigir de nós, mesmo quando pensamos que já podíamos ter feito tudo o que podíamos ter feito.

Os seus outros planos e como recebeu a eleição – como uma “guilhotina”, segundo suas palavras poucos dias depois, lembram-nos Dom Vital, bispo de Olinda: mesmo querendo permanecer em seu claustro, vivendo com um capuchinho normal, e recusando a sua nomeação episcopal, ao aceitar a decisão de seus superiores, foi fiel até o fim. Igualmente, Bento XVI quer continuar até o máximo de suas forças.

Conheçam os futuros planos do então Prefeito da Doutrina da Fé, que são, neste vídeo, alternados com algumas cenas do felicíssimo dia 19 de abril de 2005, quando se abria para a Igreja um novo horizonte de mudanças que só Deus pode preparar para serem executadas por mais um homem escolhido por Ele para se assentar na Cátedra de Pedro.

 

Nós vos amamos, Santo Padre! Que viva tanto ou mais que Pedro!