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Festa de São Lourenço

Postado em 10 agosto 2010 by E. Marçal


Santo do dia: Festa de São Lourenço, Diácono e Mártir da Igreja de Roma

Ao santo hoje festejado na Sagrada Liturgia, existem várias igrejas dedicadas, não só em Roma – onde é notória a devoção dos peregrinos, como também em toda a Cristandade. Contudo, a Basílica de São Lourenço Fora-dos-muros destaca-se por estar no lugar onde o imperador Constantino acreditava ter sido martirizado o arquidiácono romano. Está confiada aos Frades Menores Capuchichos.

Texto do seminarista Carlos Donato, da Arquidiocese da Paraíba.

Meu servo, não temas, contigo estou!
Tu podes passar no meio das chamas:

nem cheiro de fogo em ti ficará.

Antífona do Magnificat do ofício próprio de Laudes


Celebramos neste período do “Ferr’agosto” a festa do diácono Lourenço, que como bem expressa a Coleta do dia, “ardendo de amor por Vós, ó Deus, entregou-se as torturas do martírio”. Tornemos, pois, ao III século da era cristã, à Roma dos césares e das perseguições que alvejada no sangue dos mártires, heróis de nossa santa Religião, tornou-se fecunda e frutífera em gerar novos cristãos porque, como diz São Justino: “Sanguinis Martyrum semem cristianorum”.

Ordenação diaconal de São Lourenço por Sisto II

Sisto II entrega o tesouro da Igreja ao arquidiácono


São Lourenço era de origem espanhola. Disto se gloria Huesca que reclama a si a honra de contá-lo entre seus filhos. Ordenado diácono para a Diocese de Roma, o jovem Lourenço recebeu do santo pontífice Sisto II o ônus de arquidiácono, deste modo tornou-se responsável pela administração do patrimônio eclesiástico: os pobres e o cemitério cristão.

Sisto II, em pintura de Boticelli na Capela Sistina

Martírio do Papa Sisto II e seus diáconos Felíssimo e Agapito

Durante a grande e violenta perseguição de Valeriano enquanto celebrava a eucaristia, assistido por seus diáconos, o bispo de Roma Sisto II foi preso e imediatamente martirizado em companhia dos seus diáconos assistentes, com exceção de um, o diácono Lourenço, a quem fora pedido o tesouro da Igreja a ser entregue após três dias, tempo, segundo o imperador, suficiente para recolher os lendários bens de São Pedro.

Martírio de São Lourenço


Pedra do local do martírio


Assim o arquidiácono por três dias saiu recolhendo os pobres, as viúvas e os inválidos de sua diocese, únicos e verdadeiros bens da Igreja e, na data marcada, dez de agosto, diante do Augusto Valeriano e sua corte entregou-os dizendo-lhe: “Eis os tesouros da Igreja!”. Diante de tamanha afronta, o imperador condenou à morte na grelha ardente e a decapitação. Ao ouvir a sentença Lourenço responde com coragem: “Deo gratias”. Desta forma o arquidiácono romano uniu-se ao seu bispo e sucessor de Pedro e aos demais irmãos na ordem do diaconato que três dias antes deram a vida por Cristo.

Basílica Menor de São Lourenço Fora-dos-muros

Imagem venerada na Basílica

Mais antigo mosaico retratando o santo diácono – Ravena


O culto a São Lourenço não demorou a se expandir, não só por Roma, que lhe honrou com mais de cinco basílicas – entre as quais a Basílica papal de São Lourenço fora dos muros ou São Lourenço ao Verano, construída sobre o sepulcro do santo diácono. Esta Basílica pertencia ao número das basílicas patriarcais e, na Liturgia, São Lourenço possuía o grau de solenidade com primeiras vésperas até a reforma do Concílio Vaticano II, quando de solenidade passou-se a festa, com o esquema de ofício de solenidade para a liturgia das horas e a basílica continuou com os seus privilégios, mas sem contar com o título de Basílica patriarcal.


Corpo do Beato Pio IX


Em San Lorenzo al Verano, está o corpo do Beato Papa Pio IX, que desejou ser sepultado nesta então patriarcal basílica. Como também a relíquia da pedra de mármore onde foi deposto o corpo carbonizado de são Lourenço após o martírio; e as relíquias de Santo Estevão e as de São Justino.

Monumento de agradecimento ao venerável Pio XII

Durante a Segunda Guerra Mundial, o bairro do Verano foi bombardeado e parcialmente destruído. Entre os locais atingidos estava a Basílica de São Lourenço. Apenas informado Sua Santidade o venerável Pio XII, dirigiu-se pressuroso ao local levando ajuda espiritual e material. Após o episódio foi edificado um monumento em homenagem ao “Pastor Angelicus”, única autoridade em Roma durante os terríveis dias de invasão da Cidade Eterna.

O horrendo martírio imposto por Valeriano não foi capaz de silenciar o anúncio de Cristo realizado pelo diácono Lourenço, pois apesar dos 1700 anos ocorridos do seu martírio, ainda hoje ele anuncia aos cristãos o Cristo Senhor e Salvador do gênero humano por quem deu a sua vida. Desta verdade é testemunha o fato que durante o dia litúrgico de São Lourenço, a começar das primeiras vésperas, o bairro do Verano é tomado por uma grande multidão vinda de toda Itália e fora da Itália que deseja venerar as sagradas relíquias do mártir de Cristo. Não obstante a elevada temperatura na qual se encontra Roma durante o “ferr’agosto” que chega aos 43ºC.

A santa Igreja que está em Olinda e Recife também se rejubila de poder unir-se a Santa Igreja está em Roma e que preside as demais na caridade, para celebrar São Lourenço na cidade que leva o seu nome e o tem como orago.

São Lourenço, o vosso povo que vos ama
vem contemplar com devoção do vosso corpo,
a viva chama e vosso abrasado coração.
Ó Mártir, vos suplicamos:
protegei a Santa Igreja
e limpai a nossa estrada de vis hereges
e ateus por vossa carne queimada
para maior glória de Deus!



Carlos Donato é seminarista da Arquidiocese da Paraíba
Residente no Seminário Internacional Sedes Sapientiae
da Prelazia da Santa Cruz e Opus Dei, Roma
Acadêmico de Teologia da
Pontificia Università della Santa Croce
Correspondente e autor de artigos do blog

Nem os corpos dos santos podem repousar em paz

Postado em 09 agosto 2010 by E. Marçal

Do seminarista Carlos Donato, da Itália.

 

Relíquias de São Pio de Pietrelcina sofrem atentado de furto


Nesta manhã, horário de Itália, no cemitério de San Giovanni Rotondo, na região da Puglia, ocorreu a tentativa de violação sacrílega das sacras relíquias de São Pio de Pietrelcina ali depositadas pelos capuchinhos no mausoléu dos amigos íntimos do Santo.

A urna feita em mármore e vidro blindado resistiu à tentativa de ser rompida pelos sacrílegos que, segundo o porta-voz do santuário, não pretendiam roubar as relíquias, a saber: fios de cabelo, um fragmento ósseo e a luva que o frade utilizava pra esconder os sacros estigmas. O grande interesse na realidade era o furto da teca em prata banhada a ouro que custodiava as relíquias do Capuchinho canonizado com a participação de grande multidão pelo Servo de Deus o Papa João Paolo II, em 16 de junho de 2002, na Praça de São Pedro.

Segundo a polícia italiana as santas relíquias foram transladadas ao convento dos capuchinhos na cidade de San Giovanni Rotondo, onde permanecerão, apesar de terem afirmado que os vidros do relicário eram blindados e resistiriam a outros tipos de atentado. Além de um ato criminoso, agrava-se por tratar de um sacrilégio para com as sagradas relíquias e para com os demais fiéis amigos do santo capuchinho, alí sepultados.

Este ato demonstra o grau de ultraje até mesmo com os mortos que esperam, no sono dos justos, a vinda gloriosa de Cristo Juiz que a cada um recompensará segundo as suas obras e a todos julgará pelo fogo de sua misericórdia!