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O carreirismo eclesiástico

Postado em 15 abril 2011 by E. Marçal

Não são poucos os exemplos de pessoas que desejam a sagrada ordenação, não por vocação dada por Deus, mas sim por almejo de ufania e status social – o que constitui-se um pecado. Não é preciso percorrer demoradamente a História Eclesiástica para perceber o mal que carreiristas fizeram à Igreja.

“Do episcopado quero as insígnias, não o múnus”

 

Diz-se que, certa vez, Santa Teresa de Jesus foi procurada para aconselhamento espiritual por um sacerdote que há pouco fora eleito para o episcopado. A Santa prontamente o atendeu e, entre os conselhos dados, disse-lhe o seguinte: “Reverendo Padre, se tu alguma vez desejaste o episcopado e fizeste por onde alcançá-lo: não aceite a nomeação. Se desejaste o episcopado e não fizeste por onde para alcançá-lo: talvez aceite. Se, porém, nunca desejaste o episcopado e nunca fizeste por onde: aceite a nomeação”.

As palavras de Teresa de Jesus traduzem perfeitamente como alguém deve agir diante de uma promoção sua na Sagrada Hierarquia, seja por sua própria vontade ou não. Infelizmente, há casos que o eleito se figura no primeiro caso dito pela Santa: desejou e fez por onde alcançar a promoção. Sim, pois a vocação sacerdotal deve proceder de Deus. As virtudes e aptidões que figuram – o que muitas vezes não acontece – no candidato eleito para o episcopado, por exemplo, devem ser sinceras e não resultado de uma personalidade forjada para atingir o que sua maldita vaidade sempre desejou.

 

Fócio, Patriarca de Constantinopla

 
 

Papa Nicolau I

Já no início do Cristianismo, podemos ver um exemplo de carreirismo eclesiástico: Fócio foi nomeado por Bardas para o Patriarcado de Constantinopla no lugar do legítimo patriarca de então, Inácio – pessoa de grande rigidez e austeridade. Isso desagradou o Papa Nicolau I, que em vão tentou reabilitar o legítimo eparca. A vaidade cresceu em Fócio, a ponto de fazê-lo tentar obter o mesmo reconhecimento e primazia do Papa, ou seja, ele cobiçou a função de Pastor da Igreja universal. Além disso, o falso Patriarca acusou os cristãos latinos de se terem afastado da Tradição apostólica nos seguintes aspectos: os pães ázimos, o jejum do sábado, a abstinência, o rito do batismo, o culto às imagens, o Filioque e o primado romano. Por tudo isso e pela obstinação no erro, Nicolau I rompeu a comunhão com o Patriarcado e lançou o anátema contra Fócio, que contribuiu de modo singular para o Grande Cisma do Oriente, no ano de 1054. Mesmo atribuindo a ele a evangelização de parte do norte europeu com o envio dos santos Cirilo e Metódio, não lhe exime a culpa de tentar contra o ministério papal.

 

“Entre vós não deve ser assim”

Antes, mesmo entre os Apóstolos, podemos ver os corações daqueles homens envolvidos em vaidade e esquecendo-se do verdadeiro sentido do serviço, depois de terem ouvido que iriam sentar-se em tronos para julgarem as nações. Há dois relatos do episódio, um segundo Marcos e outro segundo Mateus. O primeiro escreve que os filhos de Zebedeu, Tiago e João, pediram um favor a Cristo. O segundo descreve o pedido feito não por eles, mas por sua mãe. Temendo que após a morte do Senhor não houvesse lugar para eles em Seu reino, ou querendo honra em um reino político em Jerusalém, pediram a Jesus – São João Crisóstomo acredita que eles e sua mãe o pediram – que lhes fosse concedido [aos dois irmãos] um lugar à Sua direita e outro à Sua esquerda. Os outros apóstolos, ao ouvir isto, indignaram-se contra eles, diz o texto. O Senhor os questiona se, para alcançar tão grande honra, eles poderiam beber do cálice que Ele iria beber – enquanto Ele lutava e se cansava, eles falavam de honra. E os irmãos, como que para prontamente serem atendidos, prontamente responderam de modo afirmativo. E, contrariamente ao que esperavam, Cristo os exorta a não buscarem o poder sobre súditos somente por desejo de grandeza, como acontece com os pagãos. Enfim, entre eles não deveria ser assim. Contudo, segundo relatos posteriores, vemos que Tiago e João foram capazes de beber do cálice do sofrimento de Cristo: o primeiro pelo martírio; o segundo, apesar de morrer de causas naturais, sofreu longamente por sua fé.

 

Simão, o Mago tenta comprar o ministério apostólico

Ainda há o caso relatado nos Atos dos Apóstolos (8, 9-24): Simão, o Mago cobiçou o poder apostólico de impor as mãos e tentou comprá-lo. Porém, advertido por Pedro, arrependeu-se de seu intento.

 

Os irmãos Tiago e João

Acredito que não foi exagero apresentar como cobiça o que pediram os apóstolos Tiago e João. Felizmente, eles foram capazes de morrer pelo que disseram “beber do mesmo cálice de Cristo” e pelo que acreditavam.

 

Bispo com veste coral e capa magna

 

Também na Igreja sempre houve casos de pessoas, envenenadas por ufanismo, que fazem de tudo para conseguir ascender a elevados cargos. Não me refiro apenas a ascensão na hierarquia. Mesmo na organização da diocese, há clérigos que almejam funções de destaque. Alguns já sonham desde o tempo de seminário: imaginam tudo como se o primeiro ônus a lhe ser dado pelo bispo diocesano, após sua ordenação presbiteral, seja o de pároco numa paróquia que lhe ofereça todas as possibilidades de realização de seus sonhos. Só que pode haver o primeiro golpe em seu orgulho: ou a função de vigário paroquial, subordinado às determinações do pároco, ou lhe é designada uma paróquia com séria condição financeira. Também há os que sonham – ainda apenas dentro do âmbito diocesano – assumir alguma função na Liturgia da diocese, ou na área administrativa/burocrática, ou um lugar no Colégio de Consultores ou no Conselho Presbiteral. Acredito – mas posso estar errado – que o carreirismo eclesiástico acontece mais entre os padres diocesanos. Nossa vida, como seus muitos cargos, é mais propensa a isso. Por isso que entre nós há uma máxima quase “dogmática” [da qual poucos duvidam]: somos mais desunidos entre nós até quando trata-se de uma nomeação episcopal para algum do clero diocesano. Conheço alguns casos de presbíteros seculares [entenda-se: do clero diocesano] que tiveram seus nomes excluídos de listas de consulta da Nunciatura unicamente porque não eram bem vistos por todos na diocese, e foram descartados a partir das respostas negativas que foram enviadas.

 
 

Nesses poucos anos que, como seminarista, acompanho mais de perto a vida eclesial, já fui capaz de notar como há membros da hierarquia que – perdoe-me Deus por julgar e, talvez, se julgo mal – para serem bem vistos e, consequentemente, ascender a cargos mais elevados, usam de tamanha diplomacia e política a ponto de renunciarem a convicções suas que estavam de acordo com a doutrina da Igreja. Não me refiro a ideologias ou costumes que deveriam ser abandonados por alguém de reflexão madura. Falo de coisas sérias que, segundo fontes, vêm expressadas nas cartas de consulta enviadas pela Nunciatura, a saber: vida espiritual, uso do traje eclesiástico, modo de celebrar a Santa Missa, a doutrina pregada… Contudo, repito o que Pedro e os outros Apóstolos disseram no Sinédrio quando interrogados sobre proibição da pregação do nome de Cristo: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens”. E isso deve assumir as mais altas consequências. Mesmo que o sacerdote termine seus dias sendo apenas capelão, se isso foi devido às suas convicções doutrinárias: louvado seja Deus! Pior seria se ele tivesse alcançado altos cargos em virtude da renúncia de sua consciência e do cumprimento das promessas que ele fez em sua ordenação presbiteral e do juramento de fidelidade que fez ao assumir seu presente cargo. Não quero dizer que todos os que assumem ônus na Sagrada Hierarquia ou até mesmo na organização interna das dioceses renunciam às suas certezas, que podem ser as da Igreja, ou que são infiéis. Mas, há alguns. Querem ser bispos, não em favor do crescimento espiritual dos fiéis, mas por causa da mitra, do báculo, da veste violácea, do anel com pedras preciosas, do título de “Excelência”… E para isso, são capazes de quase tudo.

 

Rev.do Pe. Gerhard Maria Wagner

Em janeiro de 2009, o Papa Bento XVI nomeou o Pe. Gerhard Maria Wagner Auxiliar da diocese de Linz, na Áustria. Contudo, devido ao seu posicionamento estrito em vários assuntos, foi alvo de protestos de diversos membros da hierarquia e do laicato austríacos. Até que, para livrar o Santo Padre, o eleito pediu a dispensa de aceitar o ofício de bispo auxiliar. E foi atendido. Em contrapartida, tantos que guiam porções do rebanho de Cristo são declaradamente contrários à doutrina da Igreja em vários e tocantes pontos.

 

O Pastor de nossas almas

Contra os que não que não importam com suas ovelhas, mas apenas com o que o cargo lhe proporciona, diz o Senhor: “Profetiza contra os pastores de Israel; dize-lhes, a esses pastores, este oráculo: eis o que diz o Senhor Javé: ai dos pastores de Israel que só cuidam do seu próprio pasto. Não é seu rebanho que devem pastorear os pastores? Pois bem, pastores, escutai a palavra do Senhor: por minha vida – oráculo do Senhor -, já que por falta de pastor foram minhas ovelhas entregues à pilhagem, e serviram de pasto às feras, pois os meus pastores não têm o mínimo cuidado com elas, e que, em vez de pastoreá-las, só têm procurado se fartar eles próprios, por isso, escutai, pastores, o que diz o Senhor: Eis o que diz o Senhor Javé: vou castigar esses pastores, vou reclamar deles as minhas ovelhas, vou tirar deles a guarda do rebanho, de modo que não mais possam fartar a si mesmos; arrancarei minhas ovelhas da sua goela, de modo que não mais poderá devorá-las Pois eis o que diz o Senhor: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas”.

 
 

Um bom exemplo de alguém que nunca cobiçou cargo algum na Igreja e que, submisso aos sábios conselhos de um sacerdote, soube ouvir a vontade de Deus: Bento XVI. Em sua autobiografia, o Pontífice relata que quando recebeu do Núncio na Alemanha Guido Del Mestri a carta com sua nomeação episcopal para o Arcebispado de Munique, ele alegou suas limitações físicas e intelectuais. Contudo, foi-lhe dado um tempo para pensar. Nisso, dirigiu-se ao seu confessor e, exposto o caso, o sacerdote sabiamente pediu que ele aceitasse a nomeação. E, assim, com a obediência e completa abnegação de suas vontades, unidas ao conselho do confessor, aquele famoso professor foi conduzido ao episcopado, que o encaminhou ao supremo posto do episcopado católico: o Papado. Tudo isso não foi fruto de um carreirismo, mas de permanente vontade de obedecer à vocação dada por Deus.

 

 

Sempre haverá o joio no Corpo de Cristo. Quando de Sua vinda é que o Juiz ceifará e colherá o trigo que Lhe permaneceu fiel, Ele julgará a todos. Rezemos para, antes, Ele inspire bons propósitos em Seus ministros, para que o rebanho possa em sua voz escutar a voz do Pastor de nossas almas. Também inspire aqueles que decidem sobre o conferimento das ordens sagradas: que não ordenem homens dúbios em palavra e que, enquanto agem in persona Christi, poderão pregar discordantemente do Magistério católico. Que Deus cuide para que sempre sejam escolhidos verdadeiros pastores para o rebanho de seu Filho.

 

Paulo VI, celibato sacerdotal e bispos brasileiros

Postado em 24 janeiro 2011 by E. Marçal

Do Instituto Humanitas Unisinos

O Papa do Vaticano II vetou pedido de bispos brasileiros

Foi divulgado pelos Arquivos Secretos do Vaticano que, na última sessão do Concílio Vaticano II, em 1965, bispos brasileiros apresentaram propostas sobre o celibato sacerdotal e o controle de natalidade. Contudo, os textos não foram transcritos nas atas da reunião, como normalmente acontecia, porque o papa Paulo VI proibiu a discussão dos temas. A apresentação da cópia dos textos configura-se uma surpresa, pois, conforme um livro do teólogo e historiador padre José Oscar Beozzo, os documentos estavam perdidos.

Dom Francisco Austregésilo de Mesquita
Bispo emérito de Afogados da Ingazeira (Pernambuco)
Falecido em 2007


As intervenções depositadas no Secretariado do Concílio partiram de Dom Pedro Paulo Koop, então bispo de Lins (São Paulo), e de Dom Francisco Austregésilo de Mesquita, então bispo de Afogados da Ingazeira (Pernambuco), sugerindo a ordenação sacerdotal ministrada a homens casados para suprir os baixos índices do clero brasileiro.

O texto do bispo de Lins que pedia a ordenação de homens casados vazou para a imprensa ao ser publicado pelo jornal francês Le Monde, em 12 outubro 1965. Talvez, isso aconteceu pelo fato de ele ter entregue cópias em latim da proposta a outros participantes da reunião. Em pouco tempo, viu seu texto publicado em francês. No Colégio Pio Brasileiro, onde parte dos bispos ficou hospedado, Dom Pedro Paulo foi acusado, em reunião da Conferência Episcopal do Brasil, de envergonhar o episcopado brasileiro.

Paulo VI é aclamado na sedia gestatoria


O bispo de Afogados da Ingazeira, que ecoou o pedido da ordenação de homens casados e saiu em defesa de Dom Pedro Paulo, confessou mais tarde, em entrevista a padre Beozzo, ter ficado profundamente envergonhado com o veto de Paulo VI. “Até hoje, não consigo engolir que o papa impediu-me de tratar três assuntos: celibato, paternidade responsável (pílula) e divórcio”, declarou o bispo.

Padres conciliares no Vaticano II

Paulo VI interveio ao saber que alguns padres conciliares (bispos participantes do Concílio) tinham a intenção de tratar o celibato eclesiástico. Dando sua opinião pessoal, logo interpretada como uma ordem, o papa advertiu que não seria oportuno debater publicamente o tema. Portanto, os bispos foram convidados a entregar suas intervenções por escrito.

 

Cardeal Aloísio Lorscheider
Arcebispo emérito de Aparecida (São Paulo)
Falecido em 2008


Certo. O assunto foi encerrado no Concílio. Mas, isso não impediu que no Sínodo dos Bispos de 1971, o então secretário da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Aloísio Lorscheider levantasse novamente a questão, depois de a assembleia-geral do episcopado brasileiro em 1969 ter aprovado, por dois terços dos votos, que o pedido de ordenação de homens casados fosse encaminhado à Santa Sé. A Secretaria de Estado solicitou à delegação brasileira no Sínodo que não tocasse no tema, porque o papa ficaria triste. Lorscheider levou a questão adiante, mas Roma não cedeu.

Cardeal Cañizares oficia ordenação sacerdotal
na forma extraordinária do Rito Romano

Mais uma vez, no Sínodo de 1990, Dom Valfredo Tepe, bispo de Ilhéus (Bahia), voltou a falar em nome da conferência episcopal do Brasil, solicitando a ordenação de homens casados. Entre outros argumentos, Tepe lembrou que no Brasil havia paróquia de 50 mil até 100 mil habitantes, o que exigia de muitos dos padres celebrar cinco ou mais missas aos domingos. “Trabalham sob estresse e se sentem frustrados porque não conseguem, de forma adequada, assistir pastoralmente as próprias comunidades”, afirmou o bispo. Dom Aloísio Lorscheider, que havia sido criado cardeal em 1976, reforçou a proposta ao defendê-la novamente. E, novamente, o Vaticano não cedeu.

Por último, centenas de presbíteros brasileiros reunidos em Itaici (São Paulo) em 2008, redigiram o mesmo pedido, ademais que sacerdotes com dispensa do exercício do ministério fossem readmitidos. A proposta foi descartada na versão final do documento enviado a Roma, o que não impediu, todavia, que fosse tornada pública.

E quanto a ser seminarista diocesano…

Postado em 11 agosto 2010 by E. Marçal

Para compreender o preço de ser seminarista de Olinda

 

Seminário de Olinda

 

Mesmo passados dois anos do meu ingresso no seminário da Arquidiocese de Olinda e Recife, confesso que ainda hoje estranho o lugar onde estou. Não! Não que eu esteja aqui contra a minha vontade. Certamente, quando eu desejava torna-me um frade carmelita, nem considerava a longínqua ideia de abandonar o interesse pela vida religiosa e fazer-me um seminarista secular – mesmo sabendo que a vontade de ser ordenado sacerdote era milhares de vezes maior do que a de ser professo da Ordem do Carmo.Os caminhos do Senhor não são os nossos caminhos, nem os Seus pensamentos, os nossos pensamentos. Estão aqueles longe destes, quanto o céu está distante da Terra. Incontáveis vezes ouvi essas palavras do profeta Isaías e, à medida que passam os dias como seminarista, comprovo a incontestável veracidade desses dizeres. Sim! Pois estar em um seminário diocesano depois de pensar que o padre secular não possuía em si nenhuma espiritualidade, é realmente impressionante. E isso aconteceu comigo. Cá estou e vejo, apesar das pedras pelo caminho, que desejo deter-me na cura e salvação das almas. Digo assim até quando sentir o chamado de Deus tão constante como as batidas de meu coração. Espero que não esteja sendo aos caríssimos leitores demasiado piegas. É que não vejo outra forma de falar da magnífica vocação ao sacerdócio e o exercício do ministério presbiteral, sem antes recorrer ao mais profundo sentimento.

Tenho dito isso até aqui, para dar início a artigos sobre o famoso Seminário de Olinda, ou Seminário Arquiepiscopal da Cidade de Olinda, como já foi tratado. Nos dados artigos, serão apresentados os motivos e a data de sua fundação, os movimentos revolucionários que aqui tiveram sede, assim como os ilustres clérigos de quem essas seculares paredes são testemunhas e que tiveram suma importância na Hierarquia eclesiástica da Terra de Santa Cruz.

Espero cativar os caríssimos leitores desse blog recente, mas que me tem surpreendido com os permanentes acessos de praticamente todos os cantos da Cristantade. Quero mostrar a todos a causa de que, sendo seminarista da “tão cara Arquidiocese de Olinda e Recife” (Papa Bento XVI), é inadiável e pesado o compromisso de honrar a história de tão nobre seminário, como o é o Seminário Arquiepiscopal da Cidade de Olinda.

Acompanhem os artigos semanais!