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Anúncio da Páscoa 2017

Postado em 05 janeiro 2017 by E. Marçal

A tradição litúrgica da Igreja prescreve que a data da Páscoa seja solenemente anunciada na Solenidade da Epifania do Senhor. O texto é presente no rito antigo e foi resgatado pela mais recente edição do Missal Romano de Paulo VI.

No dia que é celebrada a manifestação do Cristo a todos os povos, a Igreja anuncia o dia no qual a Páscoa será comemorada naquele ano. Uma vez que outras solenidades e festas dependem desta data para a sua celebração, elas também são anunciadas, tais como Pentecostes e Corpus Christi.

O texto é conhecido por suas primeiras palavras em latim, Noveritis.

A tradução publicada pela CNBB, contudo, é acrescida de uma parte que não consta no oficial em latim. Isto se deve porque a tradução brasileira é baseada na versão italiana e não na edição publicada e usada pelo Vaticano. Esta última é a que dispomos abaixo.

Finalizada a proclamação solene do Evangelho, o próprio Celebrante (na ausência do Diácono), recita o texto abaixo:

Noveritis 2017

Vídeo do canto do Noveritis no Vaticano

Categorias | Liturgia, Questiones

Pode-se fazer procissão eucarística dentro da igreja?

Postado em 22 setembro 2016 by E. Marçal

Não é raro vermos o ostensório, no centro do qual figura a hóstia consagrada, nas mãos do Celebrante, enquanto cantam expressando necessidades ou pedindo milagres. Em alguns lugares, a igreja também tem as luzes apagadas, de modo a deixar mais intimista e particular o rito, que não encontramos em qualquer livro litúrgico. O Celebrante caminha entre as pessoas, com o ostensório inclinado ao alcance delas, que choram, passando as mãos, entre as quais frequentemente têm fotografias ou outros objetos pessoais.

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Segundo a Congregação para o Culto Divino,
a trasladação do Santíssimo Sacramento não é, de fato, uma procissão
Imagem: Canção Nova Roma

O culto eucarístico, assim, tornou-se um espetáculo, não claramente para a divina majestade a Quem é dirigido, mas uma interpretação da anunciada e acreditada proximidade de Jesus em nossa vida e como demonstramos o nosso amor por Ele: o ostensório é tateado ou apresentado a fotografias, como um meio de obter o que se pede na oração. Dizem que assim as pessoas “sentem” a Deus.

Mas, perguntada sobre isso em 1975:

É permitido realizar a procissão do Santíssimo Sacramento dentro dos limites da igreja?

A Congregação para o Culto Divino respondeu do seguinte modo:

R. Não, para aqueles lugares que pretendem estabelecer o costume de realizar, às vezes, procissões dentro da igreja. O rito “da Sagrada Comunhão e do culto do mistério eucarístico fora da Missa” não se refere expressadamente sobre isso. Mas quando trata-se da procissão do Santíssimo Sacramento para aqueles que a desejam “pelas ruas” (n. 101), “de uma a outra igreja” (n. 106), com “as ruas e avenidas decoradas” (n. 104), estas são feitas [n.e. porque são previstas]. Porém, não são verdadeiras “procissões” aquelas feitas dentro dos limites da igreja. Esta resposta negativa não se aplica ao caso da Missa vespertina da Quinta-feira “Na Ceia do Senhor”, após a qual não existe “procissão”, mas apenas a solene trasladação do Santíssimo Sacramento ao lugar da reposição.

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O Papa Francisco durante a procissão de 
Corpus Christi,
entre as Basílicas do Latrão e de Santa Maria Maior,
em 30 de maio de 2013
Imagem: Nicola Facciolini

Por outro lado, o acima mencionado Rito, que é vivamente recomendado para a procissão na Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, diz claramente: “Onde a procissão não pode acontecer, para que haja uma celebração pública para toda a cidade ou suas partes consideráveis, convém que seja na igreja catedral ou outros lugares adequados. Que seja feita ou com a celebração da Missa ou com a adoração ao Santíssimo Sacramento com leituras das Sagradas Escrituras, cânticos, homilia e tempo de meditação”.

Fonte: Notitiae, edição n. 11, resposta n. 64, ano de 1975.

Como celebrar a Missa “versus Deum”

Postado em 10 julho 2016 by E. Marçal

Vejam o Papa Francisco celebrando assim:

Na noite do último dia 05 de julho, em Londres, o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, durante uma conferência do encontro Sacra Liturgia, disse: “Eu quero fazer um apelo a todos os sacerdotes”. E também: “E assim, querido Padres, peço-lhes para implementarem esta prática sempre for possível”. E continuou falando que a melhor implementação do Vaticano II na Liturgia, entre outros aspectos, é que todos se voltem para o Oriente, que na maioria das igrejas é o fundo destas. Para tanto, reconheceu que é necessária uma catequese sobre o significado de tal gesto, uma vez que muitos nos últimos 50 anos não o conhecem e não o entendem bem, mas que os pastores sabem que isto é bom para a Igreja e para o nosso povo.

Por que o Oriente

A arquitetura eclesiástica preocupou-se em construir as igrejas com o altar principal voltado para o Oriente, o lado nascente do sol, pois o Cântico Benedictus de Zacarias reza que Deus é “o sol nascente que nos veio visitar”. Na verdade, nos primeiros séculos a original liturgia romana já preocupava-se com essa orientação, mas de forma um pouco diversa: não o fundo mas a porta principal das igrejas era construída voltada para o Oriente. Por isso que igrejas verdadeiramente romanas, como a Basílica de São Pedro no Vaticano, hoje ou antigamente, sempre tiveram o Celebrante no altar principal voltado para o povo, mas, na verdade, voltado para o Oriente. Assim, a liturgia romana primitiva sempre teve o altar solto da parede.

Com o desenvolvimento arquitetônico, principalmente por terem corpos ou outras grandes relíquias de santos e possuírem mais decorações, os altares começaram a ser construídos no fundo das igrejas, presos à parede. A liturgia tridentina solidificou esse costume, embora sempre previsse a celebração também em altar no meio do presbitério, tal nas igrejas romanas, como foi dito há pouco.

Bento XVI Capela Paulina

Bento XVI, então Papa, reza Missa no altar antigo da Capela Paulina, no Palácio Apostólico Vaticano
16 de abril de 2016
Imagem: AFP Photo/Osservatore Romano

“Ao Orientem” ou “versus Deum” (“voltado para Deus”, do latim) não é somente um sentido litúrgico, como, obviamente, o altar é Cristo; ou um sentido antropológico, como alguns argumentam que a assembleia é Cristo. Sim, todos nós somos o Corpo de Cristo, que é a Igreja, mas tudo não é Cristo, porque isso é panteísmo. O sentido de voltarem-se todos para uma só direção é a tradição da Igreja e tem sentido teológico. Não é que todos fiquem em torno do altar, a menos que seja uma igreja genuinamente romana, na qual o Oriente é para o lado da porta principal.

Como celebrar a forma ordinária “ad Orientem” ou “versus Deum”

Papa Francisco Sistina versus Deum

O Papa Francisco rezando a Missa do Batismo do Senhor de modo versus Deum
Créditos de imagem desconhecidos

O Cardeal Sarah também disse que o Papa Francisco em abril passado lhe pediu um estudo sobre a reforma litúrgica do Vaticano II e uma pesquisa do enriquecimento mútuo entre o rito antigo e a forma nova. Portanto, esse pedido do mesmo Cardeal já prepara a Igreja no mundo todo para o que, possivelmente, será feito futuramente na liturgia romana. Não é complicado; já vimos os Papas Bento XVI e Francisco fazendo assim no Vaticano:

Os ritos iniciais são comuns. O Celebrante beija o altar e, se houver incenso, incensa-o. Se o altar for separado da parede, caminha em torno dele; se não, incensa segundo o rito antigo, isto é, distribuindo o movimento do turíbulo entre a parte superior, as laterais e a frente do altar. Depois disso, volta-se para o povo e a Missa continua normalmente até a apresentação das ofertas.

Incensação ofertas

Rubrica detalhada do Missal Romano de 1962, da forma antiga, que
complementa os detalhes que faltam ao Missal de Paulo VI quanto a esta incensação

Os vasos sagrados são colocados no altar sempre ao lado direito e o Missal Romano no lado esquerdo. Se houver incensação, ela é feita como no início da Missa, mas adicionando o próprio da incensação das ofertas. Voltado para o povo, o Celebrante diz: “Orai, irmãos e irmãs…” e continua a Missa. No diálogo do Prefácio não se volta para o povo, nem mesmo quando disser “O Senhor esteja convosco”. Durante a elevação do pão e do vinho consagrados, o Celebrante não se volta para a assembleia, mas ergue, por cada vez, a hóstia e o cálice acima de sua cabeça, de modo que eles sejam visíveis a todos que estão atrás dele.

PapaFrancisco_VersusDeum_AltarJPII-08 O Papa Francisco rezando Missa de modo versus Deum no altar de São João Paulo II
Vaticano, 31 de outubro de 2013
Imagem: L’Osservatore Romano

Continua a Missa nessa orientação. O Celebrante volta-se para o povo quando disser: “A paz do Senhor esteja sempre convosco” e também quando apresentar a hóstia sobre a patena, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus”. Volta-se para o altar e comunga. Depois da purificação dos vasos, os ritos finais são feitos voltados para o povo.