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Ingresso do Cardeal Scola em Milão

Postado em 26 setembro 2011 by E. Marçal

Duomo (Catedral) de Milão

Depois de informarmos da posse canônica por meio de um Procurador e do recebimento do pálio arquiepiscopal do próprio Papa Bento XVI em data extraordinária, ontem o Cardeal Angelo Scola fez o ingresso em Milão e em sua Duomo. De todas as formas surpreende a nomeação deste Cardeal septuagenário para a diocese milanesa: 

1. Dizem que a decisão partiu direta e unicamente do Papa, contra as indicações de seus colaboradores, até mesmo de Bertone; 

2. Scola volta para a sua diocese natal, que se recusou a tê-lo em seu Seminário por ele ser então membro (militante e “número dois”) do movimento Comunhão e Libertação, ao qual o arcebispo de Milão da época, Cardeal Giovanni Colombo, tinha fortes reservas; 

3. As peculiaridades ulteriores de seu ingresso na diocese (indicadas acima) que, embora previstas, são raramente aplicadas.


Scola desfaz-se de seu roquete para doá-lo à Arquidiocese, segundo antiga tradição

Por desejo expresso do Cardeal, o ingresso foi precedido pela passagem por Malgrate, sua cidade natal com pouco mais de 4 mil habitantes. Seguindo a tradição, o Purpurado parou às 16h na Basílica de Sant´Eustorgio, para honrar o lugar mais antigo do culto cristão na cidade, dos primeiros batismos e a sepultura dos mártires. Lá, também segundo uma antiquíssima tradição, doou o seu roquete que usava sobre a batina vermelha, depositando-o em uma urna com a terra do cemitério dos mártires.











 Às 16h45, depois de haver recebido as honras militares, saudado pelo Cabido Metropolitano, pelos Bispos Auxiliares e pelo Conselho Episcopal, sob os olhos da multidão aglomerada na Catedral de Milão, Scola osculou, ajoelhado, a Cruz capitular, foi incensado por um membro do Cabido e aspergiu água benta os fiéis. Depois, seguiu para a cripta de San Carlo onde foi paramentado e, como todos os predecessores, recebeu do tesouro da Catedral o anel episcopal e o báculo pastoral, que só segurou depois de lhe ser dado pelo Arcebispo emérito, Cardeal Tettamanzi.





Ao início da celebração, a assembleia ouviu a leitura da bula com a qual o Papa Bento XVI nomeou o Cardeal Scola arcebispo de Milão; posteriormente, o novo Pastor sentou-se na cátedra arquiepiscopal e recebeu homenagens do Arcipreste da Catedral e de alguns representantes do clero, dos religiosos e dos leigos.


O texto da primeira missa rezada pelo Arcebispo, não menos significativo, foi o da festa de San Anàtalo – primeiro bispo de Milão – e dos santos Bispos milaneses, que também estiveram presentes em representações nos paramentos do Arcebispo e dos seis diáconos.


Ao fim da missa, foi usado o texto da bênção apostólica previsto no Pontifical Romano e passivo de uso pelo Ordinário por três vezes ao longo do ano.

Relíquias de Santo Ambrósio (em primeiro plano, em paramentos vermelhos) ao lado das de outro bispo que serão veneradas pelo novo Arcebispo

As solenidades de ingresso continuarão com quatro encontros de escuta às realidades sociais presentes na Diocese e com sete encontros com os fiéis das zonas pastorais. O último compromisso, na cidade de Milão, será o tradicional e significativo ato de assentamento na antiga cátedra episcopal posta na Basílica de San Ambrogio e a veneração das relíquias do Santo predecessor.

Fonte: Com informações da Arquidiocese de Milão

Extra: Papa impõe pálio ao Cardeal Scola

Postado em 22 setembro 2011 by E. Marçal

Fotos da Arquidiocese de Milão

Desde a década de 80, quando João Paulo II inaugurou o costume de o papa mesmo impor o pálio arquiepiscopal aos arcebispos nomeados durante o ano, que são um tanto que raras as outras formas de algum arcebispo receber o pálio a não ser em Roma, do próprio Papa, depois da homilia da Missa Pontifical na Solenidade de São Pedro e São Paulo.

A forma mais usual de impor o pálio a um Arcebispo que, por alguma razão – às vezes, impedidos pelas autoridades civis – não esteve presente em Roma no dia 29 de junho, é, tendo sido entregues a um arcebispo da Cúria Romana os pálios dos ausentes, ele viaja à diocese de cada um e lhes impõe ou então o faz o Núncio ou outro bispo. Se o arcebispo eleito ainda não foi sagrado bispo, mas já pediu ao Romano Pontífice o pálio que o cargo lhe garante ipso facto, o dito paramento arquiepiscopal lhe é imposto pelo sagrante principal depois da imposição do anel e antes da da mitra.

A presente introdução é para noticiar uma segunda página nos elementos incomuns que envolvem o início do ministério episcopal do Cardeal Scola em Milão. Já tratamos sobre a posse canônica da dita Arquidiocese por meio de um Procurador (um Bispo Auxiliar de Milão) nomeado por Scola:

Sacerdote apresenta a Bula ao Colégio dos Consultores 
e aos demais presentes
 Por meio do Bispo Auxiliar Mons. Radaelli,
o Cardeal Scola tomou posse canônica de Milão

Hoje, às 12h, na Sala do Consistório do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, o  Santo Padre Bento XVI, gloriosamente reinante, impôs o pálio arquiepiscopal ao Cardeal Scola. Aqui está a raridade: o Papa impor a um arcebispo o pálio em um dia que não é o 29 de junho. Surge-nos a seguinte dúvida: se a transferência de Sua Eminência foi publicada a 28 de junho – véspera da imposição do pálio a 40 arcebispos. Dizem que Scola não teve como estar presente. E mais: se o pálio lhe foi imposto ainda este ano – e ele não teve que esperar para a próxima Solenidade do Apóstolos -, é possível que o seu dito paramento já estava confeccionado, o que confirma a notícia de que a sucessão na cátedra de Ambrósio há muito era discutida, coisa compreensível à Milão.

Contudo, na lista divulgada pela Santa Sé, só 5 arcebispos receberiam o pálio em suas respectivas arquidioceses… É provável que, devido à relevância de Milão, o próprio Pontífice tenha se dignado a ele mesmo impor o pálio a Scola – cerimônia que deveria ter acontecido na semana passada, mas problemas de saúde impediram que o Purpurado viajasse a Roma. Hoje coincidiu com o seu 20º aniversário de sagração episcopal.Aparentemente, o pálio já estava abençoado (fato que reforça que ele estava entre os do último 29 junho) e foi imposto à Sua Eminência depois deste ter emitido a profissão de fé e o juramento previsto no Pontifical Romano.

 
O Purpurado trajou a costumeira veste coral cardinalícia
Bispos, monsenhores e conhecidos entre os poucos presentes 
na cerimônia de caráter privado
“Para a glória do Deus todo-poderoso e o louvor da Bem-aventurada sempre Virgem Maria
e dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo…”
Assim reza a fórmula de imposição
Da nomeação de Scola diz-se que Bento XVI decidiu por si só
até em oposição ao parecer de seus colaboradores

Novo Auxiliar de Brasília

Postado em 21 setembro 2011 by E. Marçal

Do boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé

 

O Santo Padre Bento XVI nomeou Bispo Auxiliar de Brasília, concedendo-lhe a sede titular de Tisiduo, S.E.R. Dom Leonardo Ulrich Steiner, professo da Ordem dos Frades Menores, até então Bispo Prelado de São Félix e atualmente Secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos em Brasília.

S.E.R. Dom Leonardo Ulrich nasceu em 06 novembro 1950 em Forquilhinha, Estado de Santa Catarina, na diocese de Criciúma.

Emitiu a profissão religiosa na Ordem dos Frades Menores em 02 agosto 1976 no foi ordenado sacerdote em 21 janeiro 1978. De 1995 a 2003 foi Professor de Filosofia e Secretário daPontificia Università Antonianum, onde anteriormente obteve a Licença e o Doutorado em Filosofia.

Em 02 fevereiro 2005 foi nomeado Bispo Prelado de São Félix e recebeu a sagração episcopal em 16 abril sucessivo, na qual foi sagrante principal o Em.mo Cardeal Arns, e co-sagrantes S.E.R. Dom Angélico Bernardino, então Bispo de Blumenau, e S.E.R. Mons. Heinrich Timmerevers, Bispo Auxiliar de Münster, Alemanha.

Na Assembleia Geral dos Bispo do Brasil, em maio deste ano, foi eleito Secretário-geral da Conferência Episcopal brasileira para o próximo quadriênio.

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A transferência de sede (algo incomum: um Bispo residente, mesmo que Prelado territorial, ser nomeado Bispo auxiliar – portanto, uma “minimização” de jurisdição, pois o normal é “maximação” progressiva do poder episcopal) é motivada pelo cargo exercido pelo Auxiliar eleito, que deve residir na Capital federal.