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Sobre o uso do barrete na Liturgia

Postado em 21 maio 2016 by E. Marçal

Com o solidéu, a mitra e o capuz dos hábitos religiosos, o barrete está entre os chapéus eclesiásticos com uso dentro ou fora da Liturgia ou em ambas as ocasiões.

O barrete surgiu no século X, quando no rito romano o amito deixou de ser usado sobre o cabeça e permaneceu apenas sobre os ombros, como é atualmente. Primeiro teve a forma do solidéu, conforme conhecemos, que se tornou outra peça do vestuário eclesiástico. Depois adquiriu a forma de cubo, tal como o chapéu usado pelos juízes romanos, no exercício de sua função, como demonstração da autoridade.

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Barrete preto com borla de seda vermelha, próprio de Monsenhor Protonotário Apostólico,
título de uso dos Cônegos da Basílica de São Pedro
© Imagem: Direto da Sacristia

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Cônegos praticando a forma correta de retirar o barrete: com a mão direita,
inclinando a cabeça para a direita, de modo que não se levante muito o braço
© Imagem: Direto da Sacristia

A sua cor depende da hierarquia de quem o usa: preto para seminaristas, diáconos e padres; violáceo para os bispos; vermelho para os cardeais; branco para o Papa, embora esteja em desuso há séculos, e para os cônegos premonstratenses. O Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote tem barrete de cor azul, algo único na Igreja, devido à sua ligação com São Francisco de Sales, que é representado de vestes naquela cor. Tem três palas levantadas, que se unem numa borla de seda; o lado sem aba fica voltado para a orelha esquerda, de modo que a mão direita de quem o usa o alcance e com ela o retire. Para os seminaristas, diáconos, padres e cônegos a borla do barrete é de cor preta; para os padres monsenhores de Sua Santidade e Prelados de Sua Santidade e para os bispos a borla é de cor violácea; para os padres  monsenhores Protonotários Apostólicos a borla é cor vermelha; o barrete branco dos cônegos premonstratenses e do Papa e o barrete vermelhos dos Cardeais não têm borla, mas em seu lugar um curto cordão, como o do solidéu. O acima mencionado Instituto Cristo Rei tem barrete com borla de cor azul para todos os membros.

Os eclesiásticos com título de Doutor podem usar, fora da Liturgia, o barrete com quatro palas.

Indicações comuns para um presbítero durante a Missa segundo a forma ordinária do rito

O uso do barrete não é igual à mitra, com a mesma dignidade e os mesmos detalhes. Vejam:

1. Após paramentar-se e rezar, cobre-se com o barrete e faz inclinação da cabeça ao crucifixo.

2. Quando chegar ao mais baixo degrau do altar para, descobre-se pegando o barrete com a mão direita na aba sobre a sua orelha direita, entrega-o ao ministro que o ajuda e faz inclinação profunda do corpo ao altar ou, se o sacrário estiver no altar, faz genuflexão sem soltar as mãos postas.

Mantém-se com a cabeça descoberta mesmo se tiver que aspergir a assembleia durante o ato penitencial, aos domingos e em outras ocasiões prescritas para isso.

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À direta, o Celebrante, sentado e usando o barrete, escuta a Liturgia da Palavra
© Imagem: Direto da Sacristia

3. Quando sentar-se para a Liturgia da Palavra, o ministro lhe dá o barrete e com ele se cobre.

4. Durante o canto de aclamação ao Evangelho, levanta-se, mesmo se tiver que colocar incenso no turíbulo (Instrução Geral do Missal Romano, n. 131). Retira o barrete antes de rezar a oração Purificai os meus lábios ou de abençoar, se houver, o Diácono ou, também se houver, o concelebrante ir proclamar o Evangelho.

Mons. Guido Pozzo barrete estola cruzada púlpito homilia

Dom Guido Pozzo, então Monsenhor Prelado de Honra,
usando o barrete enquanto prega do púlpito em Missa segundo o rito antigo
Créditos de imagem desconhecidos

5. Após a proclamação do Evangelho, se faz ou não a homilia, cobre-se com o barrete.

6. Descobre a cabeça após a homilia e assim continua até depois de beijar o altar, ao fim da Missa: depois de abençoar o povo, recebe do ministro o barrete e o mantém à altura do peito, dirige-se ao altar, beija-o e só depois cobre-se, enquanto volta para a sacristia.

Outros eclesiásticos e o uso do barrete

VATICAN CITY, VATICAN - APRIL 13: Former Archbishop of St. Louis cardinal Raymond Leo Burke attends Palm Sunday Mass celebrated by Pope Francis at St. Peter's Square on April 13, 2014 in Vatican City, Vatican. Palm Sunday, which is the 6th Sunday of Lent, marks the official beginning of Holy Week during which Christians recall the passion and death of Christ. (Photo by Franco Origlia/Getty Images)

O Cardeal Raymond Burke, de veste coral, não concelebrando, 
durante a Missa Papal do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
Vaticano, 13 de abril de 2014
Imagem: Franco Origlia/Getty Images

Concelebrantes, bispos, outros padres, diáconos e seminaristas também podem usar o seu barrete: se participam das procissões inicial e final, cobrem a cabeça, e sempre que estiverem sentados.

O Bispo pode usar o barrete e o solidéu em missas de dias de semanas, nos quais não é obrigatório o uso da mitra. Assim, também ele faz as mesmas ações que um presbítero com o barrete, diferentes das ações com a mitra.

Indicações para celebrações de outros Sacramentos e a Liturgia das Horas

1. Para o Sacramento do Batismo, o diácono, padre ou bispo sai da sacristia usando barrete, mas o depõe quando chegar ou ao altar ou ao batistério, para o rito. Só cobre novamente a cabeça durante a Liturgia da Palavra e após a bênção final. O mesmo acontece para o Sacramento do Matrimônio: uso do barrete apenas para a procissão inicial e a final e durante as leituras. Se estes Sacramentos forem combinados com a celebração da Missa, as indicações devem ser combinadas, de modo que não se contradigam.

2. Para o Sacramento da Penitência, o padre ou o bispo sai da sacristia usando barrete, mas o depõe enquanto ouve a confissão do penitente. Volta a cobrir a cabeça antes da absolver, tal como o juiz romano no primeiro século, que com o barrete civil dada a sentença ao réu.

3. Para o Sacramento da Unção dos Enfermos, o padre ou bispo usa o barrete desde a paramentação de túnica ou sobrepeliz e estola, mas o depõe ao início do rito e volta a cobrir a cabeça após a bênção final.

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Ao presidir uma celebração da Liturgia das Horas, enquanto cantam os salmos,
o Celebrante cobre-se com o barrete
© Imagem: Direto da Sacristia

4. Durante a celebração solene da Liturgia das Horas, como em Laudes e Vésperas, o que preside usa barrete durante a procissão inicial, durante a salmodia (recitação dos salmos), na homilia (se houver) e após a bênção final, quando a procissão caminha para a sacristia.

Fora da Liturgia e modo de usá-lo

Francesco Moraglia barrete vermelhoCardeal Bertone veste coral barrete sorriso

À esquerda, Dom Francesco Moraglia, chegando à igreja de batina e usando o barrete.
O Patriarca de Veneza, entre outros privilégios, pode usar barrete vermelho com borla da mesma cor.
À direita, o Cardeal Tarcisio Bertone de veste coral, mas portando o barrete para usá-lo ao início do rito.
Créditos de imagens desconhecidos.

O barrete pode acompanhar o uso da batina, ao menos quando o eclesiástico dirige-se para a igreja ou outro lugar religioso. Quando porta-o, mas não o usa, deve segurá-lo com a mão direita diante do peito, tal como também faz fotos oficiais.

Adquira um barrete:

Barrete em seda, de 3 pontas de seda e forrado com algodão, sem ou com floco de seda preta. Para uso litúrgico.550xN (1)

 

Fonte: Cerimonial dos Bispos e Curso de Liturgia Romana, de Dom António Coelho

A Vigília de Pentecostes – O rito próprio

Postado em 17 maio 2015 by E. Marçal

Por sua relevância na Teologia da Bíblia e na Liturgia, ocupando o 3º lugar das mais importantes solenidades, Pentecostes recebeu grande destaque no rito antigo e ofício de sua vigília é muito semelhante com o da Vigília Pascal: troca na cor dos paramentos, várias leituras e salmos e até mesmo uma nova bênção da pia batismal. Isto é, certamente, pela união que os dois dias solenes têm como início e fim do Tempo Pascal.

Contudo, a reforma litúrgica do Vaticano II preservou um rito próprio para a Vigília de Pentecostes, infelizmente, esquecido por muitos no fim da Missal Romano, entre as páginas 997 e 1000. Embora os paramentos sejam vermelhos (ou dourados ou prateados, que substituem a cor própria) e não deva haver nova bênção da pia batismal, o rito ainda permanece próprio para esta Vigília, inclusive com mais leituras, intercalando o início da Missa e o canto do Glória, como na Vigília Pascal.

É uma grande e atrativa oportunidade de colher maiores frutos desta riqueza teológica e bíblica que a Liturgia oferece. Será louvável esquecerem-se da pressa pela falta de zelo e, não custando nada, celebrarem com o povo este ofício rico em sinais.

O rito da Vigília possui duas formas. nas quais o Celebrante sempre usa a casula:

Rito comum da Missa

1. O Celebrante inicia a Missa como de costume (com ou sem incensação), após o sinal da cruz e a saudação “A graça de Nosso Senhor” ou outra, e profere a 2ª oração do ofício da Missa da Vigília “Concedei-nos, ó Deus onipotente”.

2. Omite-se o ato penitencial e exorta o povo com outras palavras ou as previstas no Missal Romano: “Introduzidos na Vigília de Pentecostes…”.

3. Seguem-se as 4 leituras, com os seus respectivos salmos, presentes no Lecionário Dominical como facultativas para a Solenidade de Pentecostes, mas proferidos todos neste ofício.

4. O rito da Liturgia da Palavra acontece como na Vigília Pascal: após cada leitura e seu salmo, de pé, o Celebrante reza a respectiva oração prevista no rito. Todos voltam a sentar-se após.

5. Recitada a oração após o salmo responsorial da 4ª leitura, o Celebrante ou o coro entoa o Glória. Após o canto, é proferida a primeira Oração do ofício da Vigília “Deus eterno e todo-poderoso, quisestes que o mistério pascal…”.

6. Todos sentam-se novamente e é feita a leitura do Apóstolo (Rm 8, 22-27) e o Evangelho é proclamado.

7. Convém usar a bênção solene, como previsto no Missal na seção específica.

8. Na despedida do povo, o diácono o próprio Celebrante diz: “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe, aleluia, aleluia”, ao que respondem: “Graças a Deus, aleluia, aleluia”.

Cardeal Concelebrante na Missa Pro eligendo Romano Pontifice, votiva ao Espírito Santo,
na abertura do conclave que elegeu o Papa Francisco, em 12 de março de 2013

Rito da Missa combinado com a recitação das I Vésperas

1. Se se desejar unir à Missa a recitação das I Vésperas de Pentecostes, a Missa é iniciada ou com um cantor recitando o versículo introdutório do Ofício Divino “Vinde, ó Deus”, ao que o povo responde “Socorrei-me” e o canto do hino próprio das I Vésperas ou com o canto de entrada e a procissão inicial, como de costume. No altar, após o que é previsto pelo rito comum (usando ou não incenso), o Celebrante faz o sinal da cruz e a saudação inicial, mas omite o ato penitencial.

2. Todos sentam-se e é recitada a salmodia das Vésperas até a leitura breve prevista no Ofício Divino.

3. Terminado isso, o Celebrante faz a exortação “Introduzidos na Vigília de Pentecostes…” e seguem-se as mesmas 4 leituras e seus salmos responsoriais aos quais nos referidos na outra forma da Vigília, que se encontram no Lecionário Dominical.

4. A Missa segue-se como descrevemos anteriormente, com o canto do Glória após o 4º salmo e a recitação da primeira Oração do ofício da Vígília “Deus eterno e todo-poderoso, quisestes que o mistério pascal…”. Inclusive, com a leitura da Carta aos Romanos e e o Evangelho é proclamado.

5. Após a Sagrada Comunhão, recita-se a antífona “Vinde, Espírito de Deus”, prevista nas I Vésperas de Pentecostes, e todos, de pé, cantam o Magnificat, durante o qual o Celebrante incensa a cruz do altar e o próprio altar e um ministro incensa o Celebrante e povo.

6. Recita-se a Oração depois da Comunhão.

7. Convém usar a bênção solene, como previsto no Missal na seção específica.

8. Na despedida do povo, o diácono o próprio Celebrante diz: “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe, aleluia, aleluia”, ao que respondem: “Graças a Deus, aleluia, aleluia”.

Missa de Pentecostes, Toledo (Espanha), em 2013

Missa do dia de Pentecostes

As particularidades da Missa deste dia solene é o canto da Sequência, em português, “Espírito de Deus, enviai dos céus”, após a segunda leitura, enquanto todos permanecem sentado. Depois do Evangelho, aquele que acendeu o Círio na Vigília Pascal, o Diácono ou o próprio Celebrante, dirige-se para junto do candelabro e lá apago-o, sem qualquer cerimonial previsto além deste. Após a Missa, o Círio é posto ao lado da pia batismal ou no batistério, se houver. Por fim, na despedida do povo, o diácono o próprio Celebrante diz: “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe, aleluia, aleluia”, ao que respondem: “Graças a Deus, aleluia, aleluia”.

Sobre os ritos da Semana Santa

Postado em 26 março 2015 by E. Marçal

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A Semana Santa faz memória dos mais importantes Mistérios de nossa fé, e o Tríduo Pascal é o coração do ano litúrgico. Portanto, sabemos dos antiquíssimos e detalhados ritos que acompanham as celebrações litúrgicas nesses dias, tentando ao máximo exprimir ao nosso espírito os sentimentos pelos textos, pelos cantos, pelos gestos e símbolos. Luz, escuridão, fogo, água, óleo, silêncio e sinos nos acompanham durante estes sete intensos dias.

Devido à multiplicidade de detalhes encontramos certa contradição nas orientações dos livros litúrgicos. Portanto, só um maior estudo do Cerimonial dos Bispos e do Missal Romano e o conhecimento do rito antigo no que é possível, bem como a prática das rubricas nas celebrações do Vaticano nos ajudarão a ter os detalhes melhor esclarecidos. Para tanto, o Direto da Sacristia apresenta a seguir um guia feito com base nessas referências, desejando que ele ajude a todos nas comunidades que celebram com fervor espiritual, decoro e solenidade estes dias do triunfo, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor.

Domingo de Ramos

VATICAN-POPE-PALM SUNDAY

Bento XVI durante a procissão do Domingo de Ramos
Praça de São Pedro, 17 de abril de 2011

Papa Francisco paramentação casula vermelha Missa Domingo Ramos Praça São Pedro 24 março 2013

Antes de oscular e beijar o altar, o Papa Francisco veste a casula depois de ter usado o pluvial na Missa do Domingo de Ramos
Praça de São Pedro, 24 de março de 2013

Bento XVI sopro vaso Crisma - Cópia

Bento XVI assopra sobre o vaso com o óleo que será consagrado no Crisma

 

TRÍDUO PASCAL

Missa da Ceia do Senhor

Bento XVI alva cíngulo dalmática pontifical gremial lava pés sacerdotes Quinta-feira Santa 21 abril 2011

Somente os Abades e Bispos usam dalmática durante o rito do lava-pés
Também a tradição da Igreja pede que de homens sejam lavados os pés.
Na imagem, Bento XVI faz o gesto a 12 presbíteros na Arquibasílica do Latrão, 21 de abril de 2011

Pope Benedict XVI washes the feet of a worshipper during the beginning of the Paschal Triduum Mass of the Last Supper at the St. John in Lateran Basilica in Rome

O pé direito de um sacerdote é molhado por Bento XVI durante o rito do lava-pés
Arquibasílica do Latrão, 05 de abril de 2017
© Corbis

Bento XVI transladação Santíssimo Quinta-feira Santa

Com casula e sob a umbela, Bento XVI translada o cibório com o Santíssimo Sacramento envolvo no véu umeral

S. João Câncio Adoração Quinta-feira Santa

Capela da Reposição em igreja dos Cônegos Regulares de São João Câncio
Notem o tabernáculo e o seu formato, como é comum nesta ocasião

Desnudação altar Quinta-feira Santa Concesa (Itália) 2012

Desnudação do altar segundo o costume antigo, com o Sacerdote de alva e estola roxa
Santa Concesa (Itália)

Celebração da Paixão do Senhor

 

Pope Benedict XVI Celebrates Easter - Good Friday

Sem sapatos, como pede a 3ª edição do Missal Romano, e sem a casula, Bento XVI desce os degraus
para a adoração da cruz, na Sexta-feira Santa, em 10 de abril de 2009

Bento XVI prostrado almofada Sexta-feira Santa 06 abril 2007 Alessandra Benedetti

A prostração do corpo é uma das formas previstas para expressar a tristeza pelo sofrimento redentor de Cristo
Basílica de São Pedro, 06 de abril de 2007

© Alessandra Benedetti

Bento XVI casula vermelha desvelando Cruz Sexta-feira Santa 14 abril 2006 AP Photo Gregorio Borgia

Bento XVI desvela a segunda parte da cruz, o braço direito, durante a Celebração da Paixão do Senhor
Basílica de São Pedro,14 de abril de 2006
© AP Photo/Gregorio Borgia

Bento XVI alva cíngulo estola ajoelhado Adoração Cruz Sexta-feira Santa

Ajoelhado, sem casula e sem os sapatos, Bento XVI oscula a cruz durante a adoração na Sexta-feira Santa

Vigília Pascal

Altar coberto Basílica São Pedro penumbra Vigília Pascal Sábado Santo

O altar papal preparado para a Missa, embora ainda sem as velas acesas, poucos antes do início da Vigília Pascal
Durante a Liturgia da Palavra, mais um pouco das luzes são acesas. Contudo, somente durante o canto do Glória
a Basílica de São Pedro é plenamente iluminada, após acenderem-se as velas

Círio Pascal Vaticano Fraternitas OFM

O Círio Pascal posto ao lado direito do ambão, na Basílica de São Pedro

Batismo Papa Francisco 19 abril 2014 AP

O Papa Francisco batiza um garoto italiano durante a Vigília Pascal
Basílica de São Pedro, 19 de abril de 2014

© AP